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terça-feira, 9 de abril de 2013

0 Bancos falidos pagam milhões a advogados ( Video)

Um processo como o da falência do BPP e BPN podia existir sem advogados ganhando 2,4 milhões de euros? e entre esses advogados poderia não haver ligações ao bloco central e ex-governantes com fartura? poder, podia, mas não era a mesma coisa.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

0 Os Escritórios dos advogados do diabo - poder politico/económico.

Os advogados do diabo
Em Portugal, os escritórios de advogados são activos propulsores da corrupção. 
- Nas maiores sociedades de advogados, cada advogado ganha cerca de 115 mil euros/ano. 
- Encontramos, entre estes advogados, figuras de topo dos partidos políticos integrantes da «troika vende-Pátria» 
 - Possuem ligação, presente ou passada, à Assembleia da República, ao Governo, a assembleias e executivos municipais.
- Os advogados com nomes sonantes têm sido nomeados para o Sector Público Administrativo e para o Sector Empresarial do Estado.
- São ainda eles que recebem por encomenda governamental, a elaboração de legislação e a preparação de concursos públicos (grandes negócios e grandes despesas onde o estado sai quase sempre lesado).
- Enquanto docentes universitários, conferencistas e comentadores tem poder sobre a opinião pública. 
- Possuem ainda ligações aos grandes grupos económicos capitalistas.
- Funcionam como elos de ligação e instrumentos de expansão dos grupos económicos capitalistas, sejam eles internos ou externos ao País.
- Conclui-se que têm contribuído para a subordinação do poder político ao poder económico. 

Segundo Paulo Morais, neste video,
 a forma como legislam, só é possível em Portugal e África. Os advogados fabricam leis com buracos e erros e passam a vida a dar pareceres sobre as leis que eles fizeram mal.  Por exemplo, um escândalo... o código da contratação pública foi feito pelo escritório do Dr Servulo Correia, e só em pareceres para explicar o código que eles próprio fizeram, já facturou 7 milhões e meio de euros. Mas mais corrupto ainda é que estes escritórios intervém de forma inconstitucional no processo legislativo, executivo e judicial o que viola a lei da separação dos poderes, o que requer intervenção do presidente da república.

Os mais poderosos 
Em Portugal marcam presença activa – as sociedades internacionais de advogados, algumas de âmbito mundial. Exemplo é o escritório Linklaters (remonta ao século XIX), sediado em Londres, que recentemente foi escolhido para prestar assessoria jurídica no processo de alienação de capital público existente na EDP e na REN e na oferta pública de aquisição (OPA) da CIMPOR.
A nível nacional as sete maiores sociedades possuem, cada uma delas, mais de uma centena de advogados (entre sócios, associados e estagiários), sendo de salientar o escritório A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados, visto ultrapassar os duzentos advogados (ver Quadro 1).

Quadro 1
Sociedade de AdvogadosNº de advogados
A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados
220
Miranda Correia Amendoeira & Associados
173
Abreu & Associados
165
Vieira de Almeida & Associados
164
Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados
160
Cuatrecasas, Gonçalves Pereira
140
Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados Associados
110

Fonte: In-Lex – Anuário das Sociedades de Advogados, 2012 (sítio na Internet).

Abreu & Associados, informa ter um volume de negócios anual de 15 milhões de euros (1), Isso significa um volume de negócios anual médio de cerca de € 115.400,00 por advogado (excluindo do cálculo os advogados estagiários) (2).
Em algumas destas sociedades de advogados, com destaque para as maiores, encontramos figuras de topo dos partidos políticos integrantes da «troika vende-Pátria» e personalidades claramente afectas a este leque partidário, com destaque para o PSD (ver Quadro 2).
Quadro 2

Sociedades de Advogados
Advogados
(sócios, associados ou consultores)
A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & AssociadosManuel Cavaleiro Brandão, Rui Machete, José Miguel Júdice
Abreu & AssociadosLuís Marques Mendes, Paulo Teixeira Pinto
Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & AssociadosJosé Manuel Galvão Teles, António Lobo Xavier
Cuatrecasas, Gonçalves PereiraAndré Gonçalves Pereira
Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados AssociadosPedro Rebelo de Sousa, Manuel Lopes Porto
Uría Menéndez-Proença de CarvalhoDaniel Proença de Carvalho
Rui Pena, Arnaut & AssociadosRui Pena
Correia, Seara, Caldas, Simões e AssociadosFernando Seara, Júlio Castro Caldas
José Pedro Aguiar-Branco & AssociadosJosé Pedro Aguiar-Branco
APORT – Advogados Portugueses em ConsórcioSílvio Cervan
Fonte: Sítios das sociedades de advogados na Internet, 2012.

A ligação entre advogados e partidos políticos tem a sua continuidade na ligação daqueles aos órgãos do poder político. Efectivamente, basta atentar na quase totalidade dos nomes mencionados no Quadro 2 para reconhecer a ligação dos mesmos, presente ou passada, à Assembleia da República, ao Governo, a assembleias e executivos municipais.
Como seria de esperar, as ligações supra estendem-se ao aparelho de Estado. Efectivamente, advogados com nomes sonantes têm sido alvos constantes de nomeações para estruturas, permanentes ou temporárias, no âmbito do Sector Público Administrativo e para o Sector Empresarial do Estado. A título meramente exemplificativo, apresentamos os seguintes casos entre os nomes referidos no Quadro 2 (3):

  • Rui Machete foi administrador do Banco de Portugal e é vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos;
  • Manuel Lopes Porto foi membro da Comissão de Reforma Fiscal e é presidente da Mesa da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos;
  • Daniel Proença de Carvalho foi presidente do Conselho de Administração da RTP;
  • Pedro Rebelo de Sousa é vogal do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.
A ligação das sociedades mencionadas aos órgãos do poder político e ao aparelho de Estado poderá ainda traduzir-se em trabalhos do foro jurídico por encomenda governamental, nomeadamente a elaboração de legislação e a preparação de concursos públicos. 
Seria interessante averiguar, por exemplo, até que ponto os advogados integrantes destas entidades simultaneamente jurídicas e políticas têm contribuído para desconfigurar o quadro legislativo progressista saído da Revolução de Abril.
É igualmente visível a influência de membros das sociedades de advogados a nível do aparelho ideológico. A este respeito, sem prejuízo de considerações mais rebuscadas que se podem – e devem – tecer sobre o carácter ideológico da intervenção desses membros enquanto docentes universitários e conferencistas, resulta clara a sua intervenção conformadora da opinião pública na qualidade de comentadores, episódicos ou permanentes, nos órgãos de comunicação social. Por exemplo, quem não foi ainda confrontado com os comentários na comunicação social de José Miguel Júdice ou de António Lobo Xavier?

Advogados, grupos económicos capitalistas e negócios
A teia completa-se com a ligação das sociedades de advogados aos grandes grupos económicos capitalistas. Procurámos demonstrar essa ligação averiguando qual a presença dos nomes enunciados no Quadro 2 nos órgãos sociais de um conjunto relevante de empresas e grupos económicos referenciados no 

Quadro 3
Sector de ActividadeEmpresas e Grupos Económicos
Fabricação de pasta celulósica, de papel e de cartãoPORTUCEL-SOPORCEL
Fabricação de cimentoCIMPOR
Produção e distribuição de energiaGALP Energia, EDP
ConstruçãoMota-Engil, Soares da Costa
ComércioJerónimo Martins
TransportesBRISA
Informação e comunicaçãoPortugal Telecom, ZON, IMPRESA
Actividades financeiras e segurosBES, Millennium/BCP, BPI, BANIF, Santander Totta, Tranquilidade, Millenniumbcp Ageas Grupo Segurador
DiversosSONAE

A intersecção entre os dados obtidos nos quadros 2 e 3 revela a promiscuidade entre os grupos económicos e as sociedades de advogados, conforme se pode constatar no Quadro 4.
Quadro 4
AdvogadosEmpresasÓrgãos Sociais
Manuel Cavaleiro BrandãoSONAE, SGPSPresidente da Mesa da Assembleia Geral
BPIVice-presidente da Mesa da Assembleia Geral
Rui Machete (consultor)Millenniumbcp Ageas Grupo Segurador
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Daniel Proença de CarvalhoGALP EnergiaPresidente da Mesa da Assembleia Geral
ZONPresidente do Conselho de Administração
BESVogal da Comissão de Remunerações
José Manuel Galvão TelesEDPPresidente da Comissão de Vencimentos
IMPRESAVogal do Conselho de Administração
Millennium/BCPVogal do Conselho de Remunerações e Previdência
António Lobo XavierMota-EngilVogal do Conselho de Administração
SONAECOMVogal do Conselho de Administração
BPIVogal do Conselho de Administração + Vogal da Comissão de Governo
Rui PenaEDPPresidente da Mesa da Assembleia Geral + Vogal do Conselho Geral
Paulo Teixeira Pinto (consultor)EDPVogal do Conselho Geral
José Pedro Aguiar-Branco (4)PORTUCEL-SOPORCELPresidente da Mesa da Assembleia Geral
IMPRESAPresidente da Mesa da Assembleia Geral + Presidente da Comissão de Remunerações
Júlio Castro CaldasSoares da CostaPresidente do Conselho Fiscal
ZONPresidente da Mesa da Assembleia Geral
Fonte: Sítios das empresas na Internet, 2012.

A título de curiosidade justifica-se referir que, fora do universo empresarial aqui considerado, Daniel Proença de Carvalho tem a presidência da mesa da assembleia geral numa quantidade significativa de empresas, tudo indicando que seja o «recordista nacional» (ou próximo disso) neste tipo de actividade (5).
Em termos de áreas de negócio, merece destaque a participação dos escritórios mencionados no Quadro 2 nos processos de privatização daquilo que resta do Sector Empresarial do Estado. Considerando apenas exemplos recentes, as sociedades A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados e Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados prestaram assessoria nos processos de alienação do capital público existente na EDP e na REN. O segundo escritório mencionado prestou até dupla assessoria no processo da EDP: à administração desta empresa e ao Estado.

Negócios afins são os da fusão de empresas e da transacção de partes de capital de empresas, na gíria económica titulados como fusões & aquisições, onde também pontificam as sociedades de advogados na qualidade de assessores jurídicos. Note-se como na recente oferta pública de aquisição (OPA) da CIMPOR o escritório Uría Menéndez-Proença de Carvalho surgiu como assessor de um potencial adquirente – o grupo económico brasileiro Camargo Corrêa.
Outra área de negócio que os dirigentes dos escritórios parecem considerar promissora é a intervenção externa, nomeadamente por via da ligação a escritórios de advogados em países de língua oficial portuguesa. O Quadro 5 é revelador dessas ligações internacionais personalizadas.
Quadro 5
SociedadesPaíses onde existem ligações personalizadas
A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & AssociadosAngola, Moçambique, Brasil, República Popular da China
Abreu & AssociadosAngola, Moçambique
Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & AssociadosAngola, Moçambique, Brasil, República Popular da China
Cuatrecasas, Gonçalves PereiraO número de ligações é muito significativo, resultado da associação de Gonçalves Pereira à sociedade de advogados espanhola Cuatrecasas
Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados AssociadosAngola, Cabo Verde, Moçambique, Brasil, Reino Unido
Uría Menéndez-Proença de CarvalhoO número de ligações é muito significativo, resultado da associação de Proença de Carvalho à sociedade de advogados espanhola Uría Menéndez
Rui Pena, Arnaut & AssociadosAngola, Timor, Brasil
Correia, Seara, Caldas, Simões e AssociadosBrasil
José Aguiar-Branco & AssociadosEspanha, França
APORT – Advogados Portugueses em ConsórcioEspanha
Fonte: Sítios das sociedades de advogados na Internet, 2012.

Para além de outras considerações pertinentes de carácter imediato, é de salientar que qualquer dos negócios aqui referenciados permite aos escritórios de advogados funcionarem como elos de ligação e instrumentos de expansão dos grupos económicos capitalistas, sejam eles internos ou externos ao País.
A associação de interesses entre sociedades de advogados e os grandes grupos económicos capitalistas permite-nos ainda incorporar, no âmbito do presente artigo, uma afirmação inequívoca sobre o estado actual da justiça portuguesa: o seu muito vincado carácter de classe, que se consubstancia no facto de a grande burguesia dispor de avultados meios para fazer valer os seus interesses no foro judicial, em claro detrimento da generalidade da população, seja esta encarada como trabalhadora ou como consumidora.

Conclusão
Com base no que acabou de ser escrito e exemplificado, constata-se a existência de escritórios de advogados que são instrumentos essenciais, directos ou indirectos, da expansão do domínio dos grandes grupos económicos capitalistas: instrumentos directos, devido à ligação entre ambos; instrumentos indirectos, por intermédio da relação escritórios de advogados → instituições da superstrutura política e ideológica (o que até constitui, em termos objectivos, uma porta aberta para o alastramento da corrupção).
Nesta qualidade, trata-se de entidades que têm contribuído activamente para a subordinação do poder político democrático ao poder económico; e, portanto, tais entidades constituem mais uma (entre tantas…) excrescência inconstitucional da sociedade portuguesa. (...)
Adaptação do Artigo original em - "O militante"

(1) http://www.bcsdportugal.org/abreu-e-associados---sociedade-de-advogados/1344.htm
(2) In-Lex – Anuário das Sociedades de Advogados, 2012 (sítio na Internet).
(3) Dados obtidos a partir dos curricula e do sítio da CGD na Internet.
(4) José Pedro Aguiar-Branco declara no seu curriculum vitae ter terminado as funções mencionadas aquando da tomada de posse como Ministro.
(5) http://www.zon.pt/institucional/PT/Assembleia-Geral/2009April/Documents/Anexo%20Ponto%204_FINAL.pdf

 

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