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sábado, 1 de dezembro de 2012

0 Casos de assédio a lojistas de centros comerciais

Eles chamam as empregadas para lhes marcarem as bainhas e, quando elas se baixam, pedem sexo oral. Elas despem-se nos provadores e chamam os empregados para os provocarem

Muita coisa pode acontecer nos provadores de lojas de roupa dos centros comerciais. Uma pista: os clientes não falam das últimas tendências de moda. Outra: gostam de poucas conversas e as que têm são sempre provocatórias. Mais uma: apreciam provas demoradas e, por vezes, deixam a porta entreaberta em jeito de convite. Sim, é o que está a pensar. A funcionária de uma loja clássica unissexo do CascaiShopping, de 26 anos, alta e de olhos claros, nunca tinha apanhado esta nova categoria de clientes: os predadores de shoppings, com mais de 30 anos e forte poder de compra, que atacam sobretudo nestes estabelecimentos, entre as 18 e as 19 horas dos dias úteis.

A lojista do CascaiShopping desconhecia este código de assédio. Não desconfiou das intenções do cliente quando ele lhe pediu algo tão trivial como marcar a bainha das calças. Onde? No provador, claro. Quando ela se ajoelhou, ele foi directo ao assunto e pediu-lhe que lhe fizesse sexo oral.

A primeira reacção dela foi pensar que não tinha ouvido bem. “Desculpe?!” A seguir, afastou-se e pediu a um funcionário para a substituir. “Ela ficou em choque”, conta uma colega. O episódio repetiu-se exactamente da mesma forma e na mesma época, numa loja de streetwear do Dolce Vita Tejo, na Amadora, há três anos.

Os predadores podem ser mais ou menos descarados, persistentes, ameaçadores, ou optar por prometer uma vida melhor no estrangeiro (sobretudo em Angola e Cabo Verde) às vítimas. Por vezes, até apalpam o rabo às funcionárias ou pedem-lhes para ver uma peça da última prateleira, para elas subirem ao escadote. Vale tudo – desde que elas não façam escândalo.

Se há queixas por assédio nestes contextos, raramente passam da gerência. Costumam ser abafadas para as lojas não perderem clientes nem correrem o risco de haver inversão de papéis, com queixas deles no livro de reclamações. O problema é desvalorizado, como a SÁBADO comprovou na quinta e sexta-feira passadas (dias 15 e 16), quando falou com funcionários de 106 lojas de roupa dos centros comerciais da zona de Lisboa: Colombo, Amoreiras, Vasco da Gama, Dolce Vita Tejo e CascaiShopping.

Entre risos, e pontualmente alguma indignação, os lojistas relataram 24 casos, a maioria nos últimos meses. “Têm vindo a aumentar. São homens à procura de novas aventuras”, dizem algumas empregadas. Mas as administrações dos shoppings onde decorreram os assédios desconheciam-nos ou não responderam à SÁBADO até à hora de fecho desta edição.

Seja em que circunstância for, as vítimas de assédio relativizam e dizem que têm de aprender a lidar com o problema. M. recorda que ficou assustada com o primeiro assédio, aos 18 anos. Tabalhava numa loja de fatos masculinos e também marcava bainhas. “Quando olhei para cima para perguntar ao cliente se a altura estava bem, vi um volume na zona das virilhas.” O homem, com cerca de 40 anos, manteve-se em silêncio e constrangido, enquanto M. fugiu para o armazém, a chorar. Dias depois, o cliente foi buscar o fato arranjado, sem falar do assunto.

Há casos quase patológicos, como define D., empregada de uma loja de roupa do Vasco da Gama. “Não sei se o homem não teria uma deficiência mental. Assim que os seguranças chegaram, começou a chorar. Disse que pagava as calças e que a mãe cuidava dele.” D. viu-se obrigada a pedir ajuda quando apanhou o cliente, de 30 anos, a roçar-se em frente ao espelho do provador, com as calças de ganga abertas. Insistia para que ela lhe tocasse e dizia-lhe: “Mete aqui a mão para ver se está apertado.” D. também já se deparou com outro exibicionista que, ao vestir as calças, lhe pediu a opinião. “Tinha os boxers abertos e a visão não era muito agradável.”

Nos provadores, elas também já assediam. E preferem insinuar-se sem roupa. T., funcionária de 35 anos de uma marca multinacional do CascaiShopping, fala com desdém de uma enfermeira de 55 anos. “É uma cliente antiga, com mais de 10 anos de casa.” E muito desinibida, apesar de gorda e desajeitada. Sempre que experimenta peças, tira a roupa interior e deixa a porta entreaberta para quem quiser olhar, ao ponto de a chamarem a atenção. “Uma coisa horrorosa de se ver”, diz a funcionária.

Se as mulheres menos elegantes não são bem-sucedidas, as esculturais provocam estupefacção nos funcionários. Mas cuidado: se rejeitadas, partem para a ameaça. Uma delas, de 40 anos, vestiu um fato de banho, abriu a cortina do provador e perguntou a A., empregado de 24 anos do Centro Comercial Vasco da Gama, se a peça lhe assentava bem no rabo. Três colegas que passavam pelo corredor pararam embasbacados. A cliente prosseguiu: perguntou se tinham biquínis brasileiros e puxou o decote do fato de banho para exemplificar como ficavam no peito. Como ele não reagiu, ela arranjou forma de o perseguir.

Durante vários dias, ligou para a loja, a pedir para falar com ele e a queixar-se de que tinha recebido troco a menos. Ao telefone, provocava A.: “Ainda vão pensar que somos namorados.” Duas semanas depois, voltou à loja, já com outra atitude. “Não falo mais consigo porque me disse que ligava e não ligou.” Pediu para falar com o gerente, para abordar o alegado engano do troco. O responsável garantiu-lhe que não faltava dinheiro em caixa. Ela desapareceu.
A. recorda que já atendeu outra cliente do mesmo género, que o chamou ao provador apenas de lingerie e saltos altos. “Pode trazer-me o número acima destas calças?” A. cumpriu o pedido e resistiu ao assédio. Mas há quem ceda. “Sei de colegas que aceitaram a proposta e foram para o provador com as clientes.”

Os assédios são directamente proporcionais à visibilidade dos lojistas. Os que estão na caixa ouvem mais piropos, mas também é certo que estes cumprem sempre determinados requisitos físicos: não se vêem gordos, nem estrábicos com acne atrás do balcão. “Empregam pessoas muito novas e, ultimamente, muitos brasileiros”, conta um comerciante de 33 anos, com 17 de experiência.

R., de 21 anos, funcionário de uma loja de roupa juvenil do Dolce Vita Tejo, já passou pela caixa de pagamento. Recorda a cliente de 30 anos que, numa terça-feira, já depois das 21 horas, o deixou sem resposta. No momento de pagar 30 euros por um body, uma saia e um cachecol, a mulher perguntou-lhe: “Posso levar o seu colega para minha casa?” A seguir, alargou o convite a R. “Você também pode vir. Ficam os dois no meu armário.” Os funcionários calaram-se, ela afastou-se. 
O empregado sorri e desvaloriza o caso, como outro de uma loja de roupa do Colombo, de 20 anos, que admite levar os assédios femininos “na brincadeira”. “Várias senhoras de 50 anos dizem-me: ‘Olhe esse corpinho, essa carinha, a si é que lhe ficam bem as calças, não para quem estou a comprar.’ Sinto-me um bocado envergonhado.”

Como é habitual nos lojistas, nem pensou em apresentar queixa à polícia ou ao sindicato. “Em casos reiterados de perseguição dos clientes, aconselhamos a apresentarem queixa-crime na polícia. Mas é raro acontecer”, diz o advogado Pedro Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores e Técnicos de Serviços.

M., 30 anos, empregada numa loja de roupa do Dolce Vita Tejo, suspeita estar a ser perseguida por um cliente. Na semana passada, entre os dias 12, 13 e 15 (segunda, terça e quinta), o potencial stalker, alto, moreno e bem arranjado, foi procurá-la ao estabelecimento, entre as 18 e 19h. Começou por elogiá-la. “Não leve a mal o que lhe vou dizer, mas a sua voz fica no ouvido. E o seu sorriso também é marcante.” Depois, desculpou-se e mostrou-lhe a aliança de casamento. A seguir, olhou-a fixamente. Nos restantes dias, foi comprar uma carteira e ver uns ténis, sem a perder de vista. M. evitou-o. “Agarrei nuns sacos e fui para o armazém.”

Alguns fazem promessas. T., 35 anos, mostrou-se imune à abordagem de um cliente da loja, com 50 anos, que ao fim de uma hora a desafiou a ir para Angola, onde arranjaria bom trabalho. “Estive mesmo para responder: ‘Na sua cama de certeza que arranjo bom trabalho.’” Conteve-se. Perante a resistência da empregada, o homem desistiu. Um outro fez uma proposta idêntica a uma funcionária do CascaiShopping, há seis meses, a ponto de ter que ser o gerente a passar a atendê-lo.

Há sempre quem não se intimide. S. só tem 22 anos, mas já foi alvo de tantos assédios na loja de roupa do Dolce Vita Tejo, na qual trabalha, que não se cala. Quando um homem com quase 50 anos e acompanhado por uma mulher lhe pediu o contacto, ela retorquiu: “Tome juízo que tenho idade para ser sua filha.”

terça-feira, 6 de novembro de 2012

0 Deco denuncia queixas de assédio e pressões por empresas de recuperação de crédito

A Deco denunciou esta terça-feira um aumento de queixas de assédio e pressões psicológicas feitas por empresas de recuperação de crédito que chegam a levar a despedimentos e defendeu a necessidade urgente de adoptar regulamentação para o sector.


"As pessoas queixam-se que lhes telefonam para o local de trabalho, para os superiores hierárquicos, para familiares, vizinhos. É uma pressão constante. As pessoas sabem que estão em incumprimento o que as deixa debilitadas, vulneráveis", afirmou à Lusa Natália Nunes, do gabinete de apoio ao sobre endividado daquela associação de defesa do consumidor.
Muitas das queixas contra empresas de recuperação de crédito ultrapassam tudo o que é "admissível do ponto de vista legal e ético", sublinhou a responsável da Deco, adiantando que em média recebe oito reclamações por dia, mas que o número já chegou às 30.
Segundo dados da associação, entre Janeiro e Outubro deste ano foram recebidas 83 reclamações escritas relativas a cobranças agressivas, sendo que um em cada cinco sobre endividados foram abordados no local de trabalho.
Os números do gabinete de apoio ao sobreendividado da Deco indicam também que 10,8% dos contactos para efectuar cobrança foram feitos a terceiros (como familiares ou vizinhos), enquanto 68,7% foram contactados directamente.
A quase totalidade (98%) dos créditos em dívida que levam a estas situações foi feita junto de entidades de crédito, sendo apenas 2% respeitantes a contratos realizados com instituições bancárias.
No que diz respeito ao tipo de crédito contratado e que deu origem à cobrança, quase dois terços (61,4%) diz respeito a crédito pessoal, um terço (34,9%) a cartão de crédito, 2,4% a contrato automóvel e 1,2% a crédito à habitação.
O problema é potenciado pelas dificuldades económicas que impedem as pessoas de pagar as suas dívidas, mas é, segundo Natália Nunes, uma situação antiga.
"O problema é que não há uma legislação sobre esta área. Temos a Associação Portuguesa de Empresas de Recuperação de Crédito (APERC) que é a única no sector, mas em bom rigor não há um regime jurídico aplicável a este sector", salientou.
De acordo com Natália Nunes, a APERC defende, à semelhança da Deco, uma regulamentação urgente para as empresas de recuperação de crédito porque com o agravamento da crise e o aumento do crédito malparado há cada vez mais empresas do género a surgir no mercado.
 
 
Uma necessidade que a Deco diz ter mesmo chamado a atenção da troika no verão passado, mas que ficou sem resposta até agora.
Natália Nunes garantiu que a Deco tem dado a conhecer estas situações ao Banco de Portugal, mas aconselha as pessoas a apresentar uma queixa-crime às autoridades em situações extremas.
 

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