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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

0 Pingo Doce : Dia 21 de Dezembro, mais que um cabaz


Quando observo Paulo Portas a inaugurar a contagem decrescente para a saída de Troika num exercício de cinismo soberbo, não vislumbro senão o maquiavelismo da fórmula política para manter o poder. Com hipocrisia tenta mascarar o que todos sabemos: o ajustamento estrutural está a revelar-se um sucesso. A banca portuguesa foi resgatada, as dívidas do Estado a esta foram asseguradas, os salários desceram, a flexibilidade do despedimento impôs-se e a redução do IRC favorece apenas grandes empresas burocratizadas com tentáculos fora do país. Sim, o memorando é um sucesso para a burguesia deste país e virou a correlação de forças a seu favor. Não vale a pena argumentar sob a premissa de que cerca de 25% da população vive na pobreza, que a fome aumentou ou pura e simplesmente de que o número de desempregados escalou a números astronómicos desde a presença da Troika sem que a dívida pública ou o défice tenham revelado descidas nos documentos orçamentais. Não vale mesmo a pena; esses epifenómenos são considerados danos colaterais para a construção de um modelo de sociedade pós-troika à imagem dos credores.
Verificamos então que é uma questão de opções económicas, como assevera Soares do Santos. Queremos a sociedade do desemprego estrutural abundante e da exploração sob o pretexto da livre escolha? A continuação do capitalismo centralizado  que garante rendas do Estado a um pequeno número de grupos económicos? O país das privatizações, parcerias público-privadas e juros agiotas em troca das boas graças do FMI, Comissão Europeia, BCE e governo alemão e às custas do financiamento da educação, saúde e segurança social? O Soares dos Santos já escolheu. Quer um Portugal que possibilite o aumento de lucros em ano de austeridade à custa do baixo salário dos seus trabalhadores. Um Portugal onde o Dia do Trabalhador serve para atropelar conquistas e praticar dumping. Um território que pague a sua mudança de acções para a Holanda como escape à tributação. Não admira que elogie tanto o governo que personifica o “belo” capitalismo defendido pela face da Jerónimo Martins. Neste cenário idílico do grande capital, até a caridade é lucrativa e o Banco Alimentar serve como subsidiária.
Porém, resta-nos escolher o modelo de sociedade que nós queremos. Ficamo-nos pela condição de trabalhadores, lumpen e militantes do exército industrial de reserva ou fazemos uso dela para inverter a situação e começar uma transformação da realidade? O país dos quatro homens mais ricos de Portugal não é o nosso. No dia 21 de Dezembro, o pedido de cabazes é simbólico. O que é pedido pelo lado oprimido transcende a conjuntura. E não há censura que cale esta voz.






Cabazes de Natal Grátis para Desempregados

 

Cabazes de Natal para Desempregados

Sábado, 21 de Dezembro de 2013, 17:00

Pingo Doce da Rua 1 de Dezembro na Praça do Rossio (ou onde houver Pingos Doces e desempregados)!

Evento no Facebook *

A 4 de Dezembro, Nelson Arraiolos, desempregado de longa duração sem rendimentos, dirigiu-se ao supermercado Pingo Doce para levar um pacote de arroz sem pagar, numa acção simbólica contra a austeridade que atira cada vez mais desempregados para uma criminalidade envergonhada, forçados a roubar só para garantir que os filhos não dormem de barriga vazia.
O Pingo Doce disse compreender a acção e ofereceu-lhe um cabaz de Natal, manifestando-se solidário com a sua causa.
No dia 21 de Dezembro, vamos todos nós, desempregados, aos supermercados Pingo Doce exigir também o nosso cabaz de Natal grátis!

Oferecem a um, oferecem a todos!

  • Porque a Jerónimo Martins do Pingo Doce e 19 das 20 maiores empresas portuguesas fogem aos impostos via Holanda, empobrecendo todos os portugueses que têm de pagar por elas.
  • Porque lucrou 360 milhões em 2012 a explorar e pagar mal aos seus trabalhadores e a esmagar os pequenos e médios produtores, obrigando-os a vender abaixo do custo de produção para depois revender os produtos por vezes 100% mais caros.
  • Porque até quando finge a caridade, o Pingo Doce e os outros distribuidores, continuam a lucrar nas campanhas de recolha de alimentos com as compras dos clientes.
  • Porque a fortuna do segundo homem mais rico do país e dono do Pingo Doce, Soares dos Santos, matava a fome a 1.500.000 desempregados.
  • Porque no meio de uma miséria inimaginável em 2013, o número de multimilionários aumentou de 785 para 870 às custas do empobrecimento de 2,6 milhões de pessoas.
Neste sistema, se não damos lucro, não temos direito a viver. O que fomos no passado não interessa. Hoje somos todos desempregados. Há que lutar, unidos, porque somos 1.500.000 desempregados e juntos venceremos com facilidade 870 multimilionários e os políticos que os servem.
Notas
O EVENTO ORIGINAL FOI DENUNCIADO E A PÁGINA DA MARIA CABAZ ENCERRADA. A denúncia foi contestada e já está de volta. A Maria Cabaz não se vai deixar demover por fãs e amigos do Soares dos Santos que tentam impedir protestos legítimos no facebook. Voltem a encher esta casa, amigos!
A convocatória principal para esta acção é no Pingo Doce da Rua 1 de Dezembro perto do Rossio, mas estamos abertos a outras localizações. Os interessados podem contactar-nos para serem acrescentados os locais a este evento.

 Cabazes de Natal Grátis para os Desempregados: 21 de Dezembro

 

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