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sábado, 14 de dezembro de 2013

0 O dia em que acabou a crise!

Partilho convosco este magnifico texto de Concha Caballero. Convido-vos a tomarem consciência da assustadora realidade, convido-vos a pensarem se este futuro que está à porta é o futuro que querem para vocês, para os vossos filhos, para os vossos netos.
É nossa responsabilidade contrariarmos este caminho, é nosso dever transformar as palavras de Cocha em ficção e não permitir que destruam ainda mais o nosso futuro e o dos nossos.
Imagem removida pelo remetente. Concha Caballero
Concha Caballero
Concha Caballero é licenciada em filosofia e letras, é professora de línguas e literatura. Entre 1993 e 2008 ocupou um lugar no parlamento da Andaluzia onde chegou a ser porta voz do grupo esquerda unida.
Deputada autonómica entre 1994 e 2008 foi uma das deputadas chave na aprovação da Reforma do Estatuto Autonómico da Andaluzia a que imprimiu um caracter mais social e humano do que, no principio, os grupos maioritários do parlamento pretendiam.
Actualmente colabora em diferentes meios de comunicação. Escreve sobre actualidade politica. Em 2009 publicou o livro “Sevilha cidade das palavras”.
“O dia em que acabou a crise!
Quando terminar a recessão teremos perdido 30 anos de direitos e salários…
Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a actitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará à nossas vidas.
Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrocel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objectivos foram claros e contundentes:
Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários
Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maliáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.
Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, ENTÃO TERÁ ACABADO A CRISE.
Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (excepto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e se tenhas destruído todas as pontes de solidariedade. ENTÃO ANUCIARÃO QUE A CRISE TERMINOU.
Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra.
Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.
Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa.
Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e “voila”: A sua obra estará concluída.
Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.”

terça-feira, 20 de agosto de 2013

0 Alemanha ganha 41 mil milhões em juros com crise na zona euro


As contas são do próprio governo alemão: entre 2010 e 2014, cofres públicos de Berlim ganham 40,9 mil milhões a mais do previsto

"A Alemanha está a ganhar qualquer coisa como 41 mil milhões de euros com a crise europeia graças à redução dos juros que lhe são cobrados." As conclusões são da revista alemã "Der Spiegel", que ontem fez eco de uma resposta do Ministério das Finanças alemão aos deputados locais, onde a real ideia de solidariedade de Berlim fica evidente: entre 2010 e 2014, com a sucessiva queda dos países europeus sob alçada da troika, os juros cobrados ao governo alemão caíram a pique, fazendo com que todas as previsões tenham saído furadas - mas neste caso os alemães até agradeceram.
Segundo a resposta dos responsáveis das finanças alemãs, Berlim vai poupar 40,9 mil milhões de euros (equivalente grosso modo a 25% do PIB português) em juros entre a despesa que tinha projectado de 2010 a 2014 e aquela em que realmente está a incorrer. Como exemplo veja-se que este ano os alemães projectavam um gasto de 40,6 mil milhões em juros e empréstimos, que afinal vão ficar-se pelos 31,6 mil milhões.
Este ganho não advém apenas da quebra dos juros cobrados às emissões de dívida da Alemanha - assustados pelo risco de outras economias europeias, os investidores passaram a emprestar dinheiro a um preço muito mais baixo aos alemães -, o ganho surge também devido à queda das próprias necessidades de financiamento alemãs. Ao contrário do que acontece na maior parte da zona euro, as contas públicas alemãs têm ganho durante a crise da Europa, já que o emprego, a indústria e as exportações estão a ganhar terreno no mercado europeu, aumentando as receitas fiscais do país.
A entrada de dinheiro nos cofres alemães cresceu em tal ordem que só entre 2010 e 2012 o governo local acabou por emitir menos 73 mil milhões de nova dívida do que esperava (valor que equivale a mais de 34% da dívida do Estado português).
Os valores avançados pelo governo de Angela Merkel ainda referem que a exposição de Berlim à dívida de curto prazo (mais cara que a de longo prazo) caiu neste período de 71% do total, para apenas 51%, com os alemães a aproveitarem o seu boom económico para mudar substancialmente o perfil da sua dívida.
Apesar de todos estes ganhos, nos números citados pela revista "Spiegel" não estão incluídos, por exemplo, os lucros da Alemanha com os empréstimos feitos à Grécia ou a Portugal, por exemplo. Ainda assim, diz o documento do ministério de Wolfgang Schaüble, até ao momento a crise europeia custou aos alemães 599 milhões de euros - isto quando Portugal vai pagar um total de 34,4 mil milhões de euros só em juros pelo empréstimo solidário da troika, ou seja, os 78 mil milhões da "ajuda" internacional vão custar 112,4 mil milhões aos contribuintes residentes em Portugal.
A economia alemã cresceu 0,7% no segundo trimestre deste ano, tendo alguns dos seus ganhos económicos ajudado parcialmente a conter a dimensão da crise nos outros países europeus, com o aumento das importações do país.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

0 A crise foi provocada pela corrupção e não pelos excessos dos portugueses

O vice-presidente da Associação de Integridade e Transparência, Paulo Morais, garantiu esta quinta-feira que a crise económica em Portugal não se deve ao facto de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, mas aos fenómenos de corrupção.

"Há duas mentiras que têm sido repetidas na sociedade portuguesa: que os portugueses andaram a gastar acima das suas possibilidades e que não há alternativa à austeridade para expiarem os pecados (que não cometeram)", disse.

Segundo Paulo Morais, que falava sobre a "Origem da Crise" numa conferência sobre o modelo do Estado Social, promovida pela Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal, "grande parte da divida pública e privada é fruto da corrupção e não dos alegados excessos dos portugueses".

Paulo Morais destacou o peso do caso BPN e das Parcerias Público-Privadas (PPP), entre outros, na dívida pública e lembrou que 68% da dívida privada é resultante da especulação imobiliária, salientando que só cerca de 15% da divida privada se pode atribuir aos alegados excessos dos portugueses. Os resultantes 15% da divida privada, disse Paulo Morais, correspondem a todo o dinheiro disponível na banca para apoiar a economia portuguesa, que considerou insuficiente.

Para o antigo vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, a verdadeira explicação para a crise em Portugal está nos fenómenos de corrupção na administração central e local, que têm permitido a "transferência de recursos públicos para grandes grupos económicos". "Seis a sete por cento dos recursos do Orçamento de Estado vão para grandes grupos económicos", disse Paulo Morais, referindo o grupo Espírito Santo, o grupo Mello e o grupo Mota Engil, como alguns dos principais beneficiários.

"Em 2011, as PPP custaram 1.700 milhões de euros, ou seja, mais do dobro dos 799 milhões de euros que estavam previstos inicialmente", disse Paulo Morais, considerando incompreensível que tivesse havido um desvio com um custo superior ao preço que estava inicialmente previsto. "O que o Estado pagou a mais às PPP só é possível porque a sede da política - Assembleia da República - está transformada num centro de negócios", disse.

Como exemplo da gestão danosa dos dinheiros públicos, Paulo Morais referiu uma fórmula de cálculo inserida no contrato de uma PPP, numa auto-estrada em Viana do Castelo, em que o concessionário paga multas, ou recebe prémios do Estado, em função da taxa de sinistralidade. "Se a sinistralidade aumentar 10%, o concessionário tem de pagar uma multa de 600 mil euros, mas, se houver uma redução de 10% na sinistralidade, o Estado tem de pagar à empresa 30 milhões de euros", disse.

"Quem assinou o contrato, só por isso, devia estar preso", sentenciou.

Referindo-se à nacionalização do BPN, Paulo Morais lembrou que o anterior governo socialista nacionalizou apenas os prejuízos, que estão a ser pagos pelo povo português, e permitiu que os acionistas da SLN - Sociedade Lusa de Negócios (agora com o nome Galilei), detentora do banco, ficasse com os activos e com todas as empresas lucrativas.
Paulo Morais garantiu, no entanto, que "se houver vontade política e se a justiça actuar como deve, o Estado ainda pode recuperar três ou quatro mil milhões de euros, através dos activos do grupo Galilei e das contas bancárias dos principais accionistas".

A aquisição de dois submarinos à Alemanha é, segundo Paulo Morais, mais uma caso de "corrupção comprovada", não pelos tribunais portugueses, mas pelos tribunais da Alemanha.

"Na Alemanha há pessoas [acusadas de corrupção] a dormirem todos os dias na cadeia", disse.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

0 A crise europeia vista pelo NY Times

Europe’s Debt Crisis: No Relief on the Horizon

European Union officials have struggled to turn things around — debating new treaties, shoring up banks, securing more funding. Looking ahead to 2013, the European Commission offered nothing close to good news: “The economic and employment outlook is bleak.” — Text by Suzanne Daley
Samuel Aranda for The New York Times
When the economic crisis erupted in 2008, many Europeans assumed they were facing a couple of bad years. But the crisis, now in its fifth year, seems to go on and on, using up unemployment benefits, eating through savings accounts and dashing dreams of an easy retirement.
Over the past year, the countries hit hardest by the crisis — Greece, Spain, Portugal and Ireland — have struggled to bring down their debts. They have raised taxes, laid off workers, reduced services and have begun charging for medical care that had been free for decades. Each country had its own formula. But they were joined in the misery of trying to make do on less — and then even less.
No amount of cutting seemed to be enough. Businesses continued to fail at a rapid pace. Even many of those Europeans who thought they were safe lost their jobs. Those who had work saw their salaries reduced. Parents watched their children fly off to other countries looking for employment — or welcomed them back into their childhood rooms because they were losing their homes to foreclosure.

Spain

Samuel Aranda for The New York Times


Spain abandoned housing projects, where rotted, waist-high weeds sprouted from cracks in the sidewalks. Soup kitchens strained to feed all who arrived. A growing number of people have turned to scavenging outside supermarkets and wholesale food distribution centers looking for edible throwaways. One Spanish town, Girona, found the practice such a health risk that it issued an ordinance to lock the city’s garbage bins.
Spain continued to wrestle with the collapse of its housing boom. Its banks tried yet again to get a handle on their true loses, and the government worked to negotiate a bailout for them. But even that brought bad news. The European Commission approved a payment of $49 billion to four Spanish banks, but only on the condition that they lay off thousands of employees and close offices as part of their restructuring, a move that only contributed to a growing unemployment rate.
Spain’s regional and municipal governments continued to struggle with their own debts, making relationships with the central government tense. One of Spain’s richest provinces, Catalonia, began threatening a referendum on independence, which many see as a way of pressuring Madrid to give the region back more of the money it earns.

Portugal

Mauricio Lima for The New York Times
For a time, Portugal was seen as a role model in the grinding crisis. In return for an international bailout, its government cut services and raised taxes while its citizens patiently endured the hardships.
But that ended in 2012, when the government appeared to make one demand too many. After Prime Minister Passos Coelho offered a plan to shift the burden of social security payments from employers to workers, tens of thousands took to the streets.
Although the measure was meant to lower labor costs, the protest from workers was so ferocious that Mr. Coelho was soon forced to withdraw it.
In Spain, it was the pain of hundreds of thousands of mortgage holders that often made headlines. Some committed suicide as the police arrived to move them out.

Greece

Adam Ferguson for The New York Times


In Greece, it was another year of often violent demonstrations as a new government was elected and a fragile coalition worked to satisfy the requirements of the nation’s creditors, who pressed relentlessly for more cuts. Greece once had an extensive public health care system that ensured near-universal coverage. But reducing costs yet again, public hospitals instituted new fees and co-payments that many poor and unemployed residents could not afford. At the same time, several drug companies, tired of not getting paid, stopped supplying some of their drugs to the country’s hospitals. Many cancer patients could not afford the expensive drugs they needed.
Meanwhile, with Greece’s unemployment rate hitting 25 percent, and exceeding 50 percent for young people, social tensions were on the rise — between generations, public and private-sector workers, and the haves and have-nots. Illegal immigrants, blamed for taking jobs, became the target of attacks, particularly by members of an extreme right-wing group, Golden Dawn. Those attacks only fed the popularity of the party, which was seated in Parliament for the first time.

Ireland

Adam Ferguson for The New York Times
Ireland continued to struggle, too. The proportion of households without a working adult was the among highest in the European Union, and yet the government, under pressure from its creditors, undertook a series of cuts that reduced aid to the poorest, including child support payments. At the same time it increased property taxes.
Hunger became an issue in several countries. In Greece, the government passed a law allowing supermarkets to sell expired food at discounted prices, while in Portugal and Spain soup kitchens strained to feed all who arrived.
Cutbacks were felt in the schools, too. Some classrooms bulged with 50 or 60 students. Others suffered from a lack of heat and supplies. In Greece, one school district advertised for anyone willing to make donations for textbooks or a copying machine. Protests grew almost everywhere, with many people saying they could take no more.

Latvia

Andrea Bruce for The New York Times
One country that offered a somewhat rosier picture was Latvia, which four years ago was as desolate as the others. Now, however, some experts are hailing its progress as proof of the healing properties of austerity measures.
At one point, Latvia which suffered many of the problems seen in other troubled nations — a growing hole in government finances, a banking crisis and falling competitiveness — laid off a third of its civil servants and slashed salaries and services. Its economy shriveled by more than 20 percent.
But in 2012 its economy rebounded to grow by about 5 percent, making it the best performer in the 27-nation European Union. That figure, however, was hardly enough to improve the lot of the average Latvian. Some 30 percent of the population is “severely materially deprived,” according to 2011 European Union statistics.

domingo, 16 de dezembro de 2012

0 ANGELA MERKEL - O BODE EXPIATÓRIO

A fúria que muitos sentem relativamente à chanceler alemã Angela Merkel é compreensível. Mas não foi Angela Merkel a responsável pelo estado a que chegámos, pela crise em que nos mergulharam, pelo enorme endividamento das famílias ou pelos esquemas de corrupção que exauriram as contas públicas.
Por:
Paulo Morais, Professor universitário
In Correio da Manhã, 13/11/2012



 
Foi Cavaco Silva, e não Merkel, que enquanto primeiro-ministro permitiu o desbaratar de fundos europeus em obras faraónicas e inúteis, desde piscinas e pavilhões desportivos sem utentes, ao desnecessário Centro Cultural de Belém. Foi o seu ministro Ferreira do Amaral que hipotecou o estado no negócio da Ponte Vasco da Gama.

Foi António Guterres, e não Merkel, que decidiu esbanjar centenas de milhões de euros na construção de dez estádios de futebol. Foi também no seu tempo que se construiu o Parque das Nações, o negócio imobiliário mais ruinoso para o estado em toda a história de Portugal.
Foi mais tarde, já com Durão Barroso e o seu ministro da defesa Paulo Portas, que ocorreu o caso de corrupção na compra de submarinos a uma empresa alemã. E enquanto no país de Merkel os corruptores estão presos, por cá nada acontece.

Mas o descalabro maior ainda estava para chegar. Os mandatos de José Sócrates ficarão para a história como aqueles em que os socialistas entregaram os principais negócios de estado ao grande capital. Concederam-se privilégios sem fim à EDP e aos seus parceiros das energias renováveis; celebraram-se os mais ruinosos contratos de parceria público--privada, com todos os lucros garantidos aos concessionários, correndo o estado todos os riscos. O seu ministro Teixeira dos Santos nacionalizou e assumiu todos os prejuízos do BPN.

Finalmente, chegou Passos Coelho, que prometeu não aumentar impostos nem tocar nos subsídios, mas quando assumiu o poder, fez exactamente o contrário. Também não é Merkel a culpada dessa incoerência, nem tão pouco é responsável pelos disparates de Vítor Gaspar, que não pára de subir taxas de imposto. A colecta diminui, a dívida pública cresce, a economia soçobra.

A raiva face aos dirigentes políticos deve ser dirigida a outros que não à chanceler alemã. Aliás, os que fazem de Angela Merkel o bode expiatório dos nossos problemas estão implicitamente a amnistiar os verdadeiros culpados.                                                 

                                                *
Esta grande charada fez-me lembrar o antiquíssimo mas sempre actual provérbio português….”……a quem dinheiro emprestaste e  ajudaste, inimigo ganhaste e dinheiro perdeste…… “….

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

0 Portugal mais pobre e periférico

Portugal é o único país fundador do euro onde mais de metade da população ainda vive em regiões ‘pobres’, dentro da Europa. Na última década, só os Açores se aproximaram da riqueza média da UE.
Quase 30 anos de União Europeia (UE), milhões de fundos comunitários e uma década dentro do euro, uma das moedas mais poderosas do Mundo, não impediram Portugal de ter hoje dois terços da população a viver em regiões consideradas ‘pobres’ na Europa.
O país vive mais perto do nível dos seus parceiros do Leste da Europa (que aderiram à Europa apenas em 2004) do que dos fundadores da UE e a actual crise irá agravar esta situação no futuro. Portugal já esteve na cauda da Europa a 12 membros, a 15, a 17 e arrisca-se, agora, a ficar também no fim da UE a 27.
Estas são algumas conclusões do mais recente estudo sobre as regiões europeias publicado pelo Eurostat – o gabinete de estatística da UE.
O retrato de Portugal não é famoso: o país está mais pobre e divergente da Europa em termos de nível de vida. Mas o documento desmonta também a situação de grandes potências como a Alemanha e o Reino Unido: são dois dos estados mais ricos, mas igualmente os que apresentam as maiores assimetrias dentro das suas fronteiras. Por exemplo, um habitante da região mais rica do Reino Unido (centro de Londres) ganha em média 10 vezes mais que um residente da região mais pobre do país (Wirral).
Mas voltando a Portugal, o país tem hoje 65% da sua população a viver em regiões onde o rendimento per capita é inferior a 75% da média da UE com 27 membros. Na Grécia apenas 22% dos seus habitantes vivem em regiões ‘pobres’ e em Espanha 2%. A par de Portugal, estão neste ‘clube’ de países com mais de metade da sua população residente em regiões ‘pobres’ a Polónia, Roménia, Bulgária, Eslováquia, Eslovénia e os países Bálticos.
Portugal não possui também qualquer região ‘rica’, ou seja uma zona com um rendimento per capita 25% superior à média da UE, ao contrário de Espanha (20% da população), Finlândia (50%) ou Luxemburgo (100%).
A região mais rica da Europa é o centro de Londres, onde o rendimento per capita é 4,3 vezes superior à média da UE. Segue-se o Luxemburgo (3,6 vezes), Bruxelas (3,2) e Hamburgo (2,8). No outro extremo está a região de Severozapaden, na Bulgária, onde o rendimento dos seus habitantes é apenas de 25% da média europeia, e 12 vezes menos do que o da região londrina.
Riqueza e desigualdade
Mas os dados do Eurostat mostram também a profunda desigualdade de rendimentos dentro das maiores economias europeias, onde a regra parece ser ‘quanto mais desenvolvidas mais divergentes são as suas regiões’. Reino Unido, Alemanha, França e Holanda são os países com as maiores discrepâncias entre regiões em toda a UE27.
Na Alemanha, por exemplo, existem regiões com um nível de pobreza semelhante às áreas mais desfavorecidas da Grécia e Polónia , apesar de Munique ser das zonas mais ricas de toda a Europa. Porém, os germânicos – que vivem na maior economia europeia – , têm outros dados curiosos.  A Alemanha é o único país da Zona Euro onde a região da capital é das mais pobres do país. Berlim e Lisboa são, aliás, as únicas capitais de países onde o rendimento médio dos seus habitantes é inferior à média da Zona Euro. Até as capitais búlgara (Sofia), polaca ( Varsóvia) e húngara (Budapeste) são mais ricas que Berlim ou Lisboa.
Durante quase três décadas, Portugal beneficiou de muitos milhões de euros de fundos comunitárias para reduzir as assimetrias face ao resto dos parceiros europeus. Porém, apenas a Madeira, Açores, Algarve e Lisboa são hoje regiões com um rendimento próximo da média da UE. Aliás, nos últimos dez anos (com a moeda única), Portugal apenas conseguiu que uma região – os Açores – conseguisse sair do clube das regiões pobres.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

0 Aumentam casos de mulheres que se prostituem para sustentar filhos

Cada vez mais mulheres recorrem à prostituição para conseguir sustentar os filhos. Desempregadas ou com trabalhos mal pagos, aceitam vender o corpo para manter a vida que tinham antes de o companheiro as abandonar.
As técnicas da Associação O Ninho aperceberam-se a partir de 2009 que começavam a aparecer nas ruas de Lisboa novas mulheres, com histórias de vida semelhantes: mães sozinhas, inteiramente responsáveis pelo sustento do lar.
«São mulheres de todas as idades que se prostituem para pagar as contas», contou à Lusa Inês Fontinha, presidente daquela instituição, que trabalha com prostitutas há cerca de 40 anos.
Algumas estavam sem trabalho, outras tinham empregos precários e mal pagos que deixaram de ser suficientes no momento em que o companheiro as abandonou e deixou de ajudar financeiramente a família. Com baixas habilitações literárias, a prostituição surgia como uma solução «temporária».
«Estas mulheres só o fazem para resolver um problema do momento, porque a ideia é abandonar aquela vida. Mas não é fácil porque muitas vezes não encontram alternativas. Nos últimos tempos, temos tido várias mulheres que recorrem a nós pedindo-nos ajuda porque não querem continuar», lembrou Inês Fontinha, admitindo que são casos complicados de solucionar.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2010 havia mais de 346 mil famílias em Portugal com apenas um progenitor e, segundo a socióloga Karin Wall, as famílias monoparentais «são as mais vulneráveis à situação de pobreza».
A investigadora lembrou ainda o facto de «as mães com filhos, que representam mais de 300 mil famílias, serem mais vulneráveis que os pais sozinhos com filhos».
Parte dessa fragilidade advém do facto de as mulheres continuarem a ser discriminadas no trabalho: ganham menos que os homens, têm profissões mais desclassificadas e «em épocas de crise as situações de discriminação tendem a agravar-se», lamentou Manuela Goias, da União das Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), sublinhando que «a pobreza tem um rosto feminino».
«O desemprego cria situações muito graves e há cada vez mais mulheres que passam a recorrer à prostituição para ajudar a família. Vivem em grande sofrimento», acrescentou Maria Teresa Costa Macedo, presidente da Confederação Nacional das Famílias.
Quando os homens saem de casa, a situação complica-se, principalmente quando eles deixam de ajudar a família. E os casos de falta de assistência paterna têm vindo a aumentar, havendo cada vez mais mães a recorrer ao Fundo de Garantia, um apoio financeiro criado pelo Governo para substituir os pais que não pagam as pensões de alimentos.
«As mulheres estão desesperadas. Aqui há uns anos pediam ajuda à família, mas hoje nem a família pode ajudar», sublinhou Inês Fontinha, lembrando que estas mulheres vivem entre o medo de ter como cliente um vizinho do bairro ou de serem rejeitadas por um filho que descobre o que andam a fazer.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

0 O sonho de Pedro Passos Coelho

Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. Se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portar-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite.


José Vítor Malheiros, in Público [11 de Setembro de 2012]
 

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