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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

0 Comandos. Almoço marca revolta da tropa especial

É hoje na Associação de Comandos. Militares indignados com medidas do governo começam a preparar respostas fortes à crise política



A revolta está no ar. Não só nas ruas, mas em todos os sectores da sociedade portuguesa, incluindo os que têm altas responsabilidades e integram as chamadas funções de soberania do Estado. É o caso dos militares em geral e, agora, também de um corpo muito especial e com grandes tradições na vida democrática do país. Os comandos portugueses, através da sua associação, decidiram engrossar o contingente dos que pararam de estar resignados e entendem que chegou a hora de arregaçar as mangas e chamar à responsabilidade governo e demais órgãos de soberania.
Hoje, na associação de comandos, militares na reforma, na reserva ou no activo encontram-se num almoço que pode ser o início de uma participação muito mais activa e organizada nas movimentações que, um pouco por todo o lado, começam a surgir dentro e fora das Forças Armadas, na PSP ou na GNR.
Sendo uma força altamente treinada e com uma história que passa pela sua participação decisiva no 25 de Novembro de 1975, altura em que as forças totalitárias foram derrotadas pelos comandos liderados por Jaime Neves, os militares desta força, novos e velhos, não querem, uma vez mais, ficar de fora de um movimento popular que ganhou uma nova expressão com as manifestações de sábado em todo o país.
A organização do almoço de hoje e de outras iniciativas é uma forma de os comandos mostrarem à população que não só sofrem com a actual crise, como estão dispostos a estar ao lado dos portugueses em todas as formas de luta decididas pela sociedade civil. E é também uma maneira de mostrar ao poder político que há limites para tudo, não só para os sacrifícios como para a forma pouco digna como o actual governo trata os cidadãos. A gota de água foi, como para muitos portugueses, o anúncio do corte de salários para 2013 feito pelo primeiro-ministro antes de um jogo de futebol e a sua participação animada num concerto depois de ter atingido, de modo violento, o rendimento mensal de milhões de portugueses – um corte em cima de muitos outros que têm marcado estes meses de vigência do Memorando da troika.
Militares prometem luta O descontentamento dos militares é, aliás, de tal ordem que está já agendado, para a semana, um conjunto de reuniões entre as várias associações das Forças Armadas (FA). A primeira a decorrer será entre a Associação Nacional de Sargentos (ANS) e a Associação de Praças. “A ANS está totalmente solidária com os movimentos de cidadãos porque, além de sermos militares, somos pais e maridos e todos estamos a partilhar as mesmas dificuldades”, garante António Lima Coelho, representante da associação de oficiais. Das reuniões programadas deverá sair uma posição conjunta dos militares das FA, mas António Lima Coelho prefere não avançar cenários. “Até porque todos os cenários são possíveis e há alturas em que é preciso endurecer a voz”, diz.
O sentimento é partilhado pela Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), que classificou ontem as últimas medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro de “pura extorsão”.
Manuel Cracel garante que os militares estão “revoltados” e deixa um aviso: os oficiais vão envolver-se “na resistência dos movimentos populares” para contestar as medidas. “A austeridade está a subjugar o país e iremos agir de acordo com os meios democráticos que estiverem ao nosso alcance”, garante a AOFA, que acusa o governo de estar a pôr em causa um dos principais pilares do país: as Forças Armadas. Segundo a ANS, muitos militares participaram, à civil, nas manifestações do último sábado em todo o país. “Não podemos esquecer-nos da nossa missão, que é zelar pelos cidadãos”, remata Lima Coelho.
 

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