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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

0 Segredos da Grande Guerra saem do baú

Exército vai desclassificar documentos, lançando as comemorações    nacionais do Centenário da Guerra Mundial de 1914-18.
Mal preparados, mal equipados, analfabetos e desmotivados. É assim que têm sido descritos os militares portugueses que participaram na I Guerra Mundial, em que Portugal perdeu cerca de 21 mil jovens em poucos meses apenas na Flandres. A história do Corpo Expedicionário Português é uma história trágica, que será em breve conhecida em pormenor.
O Exército está a preparar a desclassificação de vários documentos sobre este período, numa altura em que já foi constituída a comissão encarregue de preparar as cerimónias do centenário da Grande Guerra. O primeiro passo é analisar a documentação existente no arquivo do Exército: relatórios militares, cartas e imagens. De acordo com a lei em vigor, a competência para a desclassificação dos documentos é da entidade que tenha procedido à classificação definitiva.
O Corpo Expedicionário Português (CEP) foi criado em Julho de 1916, na sequência de um pedido da Grã-Bretanha a Portugal. Embarcaria em Fevereiro seguinte para França, tendo ocorrido a 9 de Abril a célebre Batalha de LaLys, em que o CEP foi dizimado pelas tropas alemãs naquela que foi a maior derrota dos portugueses desde Alcácer-Quibir.
Segundo estudos sobre a I Guerra Mundial, o Governo não conseguiu  assegurar a rotação da força porque não tinha meios navais para o fazer e o comando não tinha oficiais preparados. A divulgação pública do arquivo do Exército vai permitir saber ao certo as condições em que o contingente português se encontrou e a sua relação com o poder político.
O ministro da Defesa, Aguiar-Branco, nomeou no final de Novembro a Comissão Coordenadora das Evocações do Centenário da I Guerra Mundial, presidida por um general do Exército.
Segundo o despacho do Governo, o objectivo é assinalar «o importante significado que a I Guerra Mundial teve na história contemporânea portuguesa, com reflexos sociais que excederam largamente o campo militar» . Lembrando os «milhares de mortos, feridos e prisioneiros» , Aguiar-Branco lembra que Portugal mobilizou cerca de 160 mil homens na Europa e nas ex-colónias.
 

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