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domingo, 23 de junho de 2013

0 Farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam porque não são rentáveis!

O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade.

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.
A investigação pode ser planeada?
Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender.
Parece uma boa política.
Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada …
E não é assim?
Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho.
Como nasceu?
A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los.
Uma aventura.
Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971.
Foi cientificamente produtivo?
Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.
O que descobriu?
Eu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados pela descoberta de introns no DNA eucariótico e o mecanismo de gen splicing (manipulação genética).
Para que serviu?
Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro.
Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?
É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de saúde… Eu tenho as minhas reservas.
Entendo.
A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.
Explique.
A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais …
Como qualquer outra indústria.
É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos.
Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.
Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos.
Por exemplo…
Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença …
E por que pararam de investigar?
Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação.
É uma acusação grave.
Mas é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo.
Há dividendos que matam.
É por isso que lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos.
Um exemplo de tais abusos?
Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas.
Não fala sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado.
Os políticos não intervêm?
Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos.
Há de tudo.
Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…
Fonte: Publicado originalmente no La Vanguardia e traduzido por Ana Bárbara Pedrosa

segunda-feira, 4 de março de 2013

0 Médicos norte-americanos curam bebé com 2 anos de idade, que nasceu com HIV!

Trata-se de um caso médico que já se qualifica historicamente. Médicos norte-americanos foram capazes de erradicar o HIV numa criança de dois anos, o vírus letal que causa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

 

Este domingo, como parte da Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, realizada em Atlanta, Estados Unidos, foi dado a conhecer um caso médico que já começou a ser descrito como histórico, pois trata-se da cura de uma criança 2 anos e meio que desde o seu nascimento carrega o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que causa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), provavelmente uma das doenças mais mortais nas últimas décadas e contra a qual, antes não se pensava que tinha cura, mas apenas tratamentos.

A identidade da criança e alguns detalhes não foram divulgados. O pouco que se sabe é que ela nasceu e vive no Mississippi, onde recebeu tratamento médico durante este tempo.
Também não foi revelado o tipo de tratamento que o paciente recebeu e, aparentemente, não se sabe exatamente o que provocou a sua cura, que veio como uma surpresa para a equipa médica que assistiu à sua evolução. Tudo o que foi confirmado é que, na verdade, um paciente está curado “funcionalmente”, termo atribuído a pessoas a quem todos os testes padrão de HIV são negativos, embora alguns possam permanecer como residuais no corpo.
Neste caso, decidiu-se administrar uma série de três drogas anti-retrovirais no recém-nascido, uma decisão médica arriscada porque normalmente apenas é injetada uma. No entanto, como a mãe não tinha recebido qualquer tratamento para o HIV durante a gravidez, os médicos optaram por arriscar este tratamento.
Os médicos mantiveram o tratamento mesmo na altura não tendo conseguido prevenir a infecção. Um mês depois, o vírus começou a desaparecer do sangue do bebé. Durante os 2 primeiros anos, o bebé e a mãe receberam constantes cuidados e medicação regular. Exactamente 23 meses depois de ter sido iniciado o tratamento, a mãe e a criança regressaram ao hospital. Contra todas as probabilidades, o último exames mostrou que a criança se encontrava “funcionalmente” livre do vírus (ou seja, embora sem nenhum vestígio do virus ou a sua presença não é suficiente para se multiplicar).
“Agora, após um ano sem tomar a medicação, o sangue da criança mantém-se livre do vírus, até mesmo nos testes mais sensíveis disponíveis”, disse Hannah sobre Gay, um dos gestores de saúde da criança no centro médico da Universidade de Mississippi.
Segundo os médicos, a partir de agora o menor não precisa de drogas anti-HIV, já tem uma expectativa de vida normal e, o que é ainda mais surpreendente, é altamente improvável de voltar a adquirir o vírus.
Além disso, espera-se que isto possa se repetir noutros bebés e crianças consideradas de risco elevado para serem HIV positivo.
As crianças mais velhas e adultos não são suscetíveis a este tratamento porque uma das peculiaridades do comportamento do vírus é que infecta os glóbulos brancos do sangue conhecidos como CD4, caracterizados pela sua longevidade e os quais podem abrigar o HIV por muitos anos, ajudando-o a reproduzir-se. Quando atinge o HIV atinge as CD4, a infecção torna-se irreversível, pelo menos com o conhecimento e os recursos que até agora existem.
Fonte: Guardian

 

 

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