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sábado, 15 de dezembro de 2012

0 Manifestações da CGTP, ou Como Fingir que se Luta Contra o Sistema

Depois da repressão policial da manifestação da greve geral, no dia 14 de Novembro, a apatia do povo Português fez-se sentir mais uma vez. Os manifestantes que tinham vindo à manifestação da CGTP para protestar contra o Orçamento de Estado e 2013 começaram a sair mesmo antes do hino Português, que marca o final de qualquer manifestação da CGTP. Às 12:50 já só restavam cerca de uma centena de manifestantes, quando uma grande parte dos sindicatos só tinha chegado pelas 11:20. Esta manifestação teve todas as características de todas as outras organizadas pela CGTP. Previsível, monótona, repetitiva, curta, e sobretudo, com a grande maioria dos manifestantes ostentando uma completa falta de vigor e entusiasmo. A maioria parece estar lá por obrigação. Vieram picar o ponto, e desta vez, dado os acontecimentos do dia da greve geral, o espaço à frente à Assembleia esvaziou-se com uma rapidez inédita. Neste dia a CGTP mereceu mais do que nunca a distinção de ‘Guardião do Portão-Mor‘.
E foi somente depois da desmobilização da CGTP que começou a verdadeira manifestação.

O General Palhaço do Exército dos Palhaços (Clown Army)
O Exército dos Palhaços entrou em acção. Um colectivo de cerca de 20 jovens vestidos de palhaço e armados com almofadas queixaram-se que a profissão deles está em risco porque os indivíduos que trabalham na Assembleia lhes estão a roubar o trabalho. ‘Afinal, somos nós os palhaços, ou são eles?’ perguntou o General Palhaço, apontando para a Assembleia, ao que o exército de palhaços respondeu com a mesma frase a que respondia a todas as perguntas, ‘Não temos a certeza Senhor!’
Depois de um pequeno espectáculo à frente a S. Bento, começaram a sair pelo flanco esquerdo, o que fez uma grande parte do contingente policial que se encontrava na escadaria desmobilizasse. Pouco mais do que uma dúzia de palhaços conseguem mobilizar mais polícia na escadaria do que os milhares de manifestantes da CGTP, o que só por si é significativo. De repente, o Exército dos Palhaços entraram dentro do um Banco, provocando o pânico entre as forças da polícia. A mesma PSP que esperou duas horas para intervir contra quem arremessava pedras no dia 14 de Novembro, o que fez sem conseguir deter os mesmos, tendo somente conseguido agredir manifestantes pacíficos incluindo idosos e crianças, imediatamente enviou um grupo de polícias que estava por detrás das barreiras para intimidar e expulsar o Exercito de Palhaços.

Jornalistas tentam capturar imagens da ‘invasão’ ao Banco que durou pouco mais do que um minuto. Foto: RiseUp Portugal

Podemos afirmar com certeza que o mundo está ao contrário quando constatamos que 20 palhaços com almofadas e apitos conseguem ser mais subversivos e assustar mais o mecanismo de repressão do que a maior estrutura sindical do país. Enquanto que a CGTP foi dar mais um passeio, um pequeno grupo de jovens conseguiu capturar e demonstrar a verdadeira natureza do sistema em que vivemos com uma pequena peça de teatro de intervenção. Fê-lo sem carrinhas, sem milhares de bandeirinhas, sem beneficiar de 1% do salário de milhares de trabalhadores. Não precisou de um pódio com microfone, nem de discursos previamente escritos. Somente um pouco de coragem, criatividade e algumas almofadas, proporcionaram um momento que foi tão tenso quanto interessante.



Nenhum governante jamais perderá o sono por causa de manifestações como as da CGTP. Neste dia, quem melhor fez de palhaço foi o Arménio Carlos e a sua corte de palhaços.

sábado, 1 de dezembro de 2012

0 Estes são os Senhores da greve !

Comboios de Portugal e quejandas – Até quando vamos levar porrada?


A CP e outras empresas públicas de transporte têm-nos brindado com algumas das greves mais incómodas e prejudiciais que tenho memória. Não só impedem milhares de pessoas de se deslocarem para os locais de trabalho, como afundam ainda mais a situação financeira das empresas, atirando-as para um buraco cujo a resolução não se adivinha nada fácil.
Em 2011, os funcionários da CP convocaram, ao longo do ano, 12 dias de greve total e 83 dias de greve parcial, implicando uma perda de receita de 8 milhões de euros (relatório de contas 2011). Replico aqui algo que escrevi dia 31/1/2011, após (mais) um dia de greve.
Do meu ponto de vista, quando um conjunto de funcionários ameaça com greve, é porque está insatisfeito, certo? Bem, inferir que os trabalhadores da CP estão insatisfeitos com o que ganham é, no mínimo, pornográfico. Numa empresa em que o salário médio de um maquinista é cerca de 1300€. “Ouviram (leram) bem? 1300€”; os funcionários gozam de 18 subsídios (incluindo um por não faltar ao trabalho); existe um fundo – único em Portugal – que lhes permite ganhar enquanto fazem greve; e um chefe para cada 16 trabalhadores (!) é gozar com os Portugueses.
Como se pode concluir através do gráfico, eficiência dos recursos é um conceito ignaro na CP. Senão vejamos:

- o custo com pessoal, entre 2006 e 2010, decresceu a uma taxa de variação média anual de 2,73%;
– as vendas, na mesma medida e período homólogo, decaíram 1,86%/ano;
– os custos com pessoal continuam, pesadamente, a representar ≈ 45% das vendas.
Ou seja, exceptuando o ano 2007, quando os custos com pessoal diminuem (por norma despedimentos) ocorre imediatamente uma quebra nas vendas.
Questiono: duas ou três pessoas para segurar o carrinho dos snack’s mais uma pessoa no bar no alalfa pendular PRT-LSB não é supérfluo? São necessários dois revisores em cada viagem a meio da tarde (c/ menos procura)? Bem, olhando para o primeiro gráfico atrevo escrever que não.
A solução passa, impreterivelmente, por uma diminuição dos gastos com pessoal (a título de exemplo, em 2010, o EBITDA foi =-12M e os G/Pessoal =122M) e um aumento de eficiência dos serviços, combinando isto com um forte envolvimento dos funcionários à missão e estratégia da empresa e responsabilizando-os pelo idigente serviço prestado. Por outro lado, é também urgente estudar a viabilidade de algumas linhas e racionalizar o seu uso.
No que concerne aos números, e contra factos não há argumentos, são de fazer chorar.
Fiz uma análise económica/financeira da empresa muito simples dos três grandes pilares:
1) estrutura financeira;
2) risco/rentabilidade;
3) liquidez.
Para isso, usei os seguintes indicadores que passo a explanar:
1 – Autonomia financeira: mede o grau de solvabilidade das empresas, ou seja, dividindo o capital próprio da empresa pelos seus activos permite-nos analisar de que forma estes últimos são financiados pelos primeiros, permitindo também uma previsão a longo prazo sobre a estrutura da empresa. Quanto menor for o valor, grosso modo, mais os activos estão a ser financiados por dívida. O normal é as empresas apresentarem valores superiores a 1, mas, espante-se quem pensar que na CP é igual. Isto porque o capital próprio da CP é sistematicamente negativo (!!), ou seja, somos todos nós que financiamos esta empresa.

2 – ROA (%) – só usei este rácio e evidencia a capacidade dos activos da empresa em gerar retorno. Ou seja, para um determinado investimento num activo, qual o retorno que este provocará nos resultados em %. Bem, também neste indicador pasme-se quem pensava que seria positivo. É, perduravelmente negativo.

3 – Com as chances cada vez menores de safar a empresa da falência – não fossemos todos nós – a liquidez também não altera, infelizmente, este paradigma. Este rácio mede, basicamente, a capacidade que a empresa tem em honrar os seus compromissos a curto prazo, dividindo o activo corrente pelo passivo corrente (liquidez geral). É suposto o activo de curto prazo ser superior ao passivo, em qualquer empresa de boa saúde. Mas desengane-se quem pensa que a CP se inclui neste grupo, como se pode ver pelo gráfico.
Dir-me-ão os mais esquerdistas que estou a fazer uma análise puramente “empresarial” porquanto uma empresa como a CP não é feita para gerar lucro. Correcto. Mas os Angolanos ou Chineses que comprarem a CP Carga não vão pensar assim. Por outro lado, também sei que o preço praticado é muito inferior ao custo marginal do serviço. Mas repito, uma vez que só irá ser vendida a CP Carga, vamos continuar a sustentar este buraco? Um buraco em que os trabalhadores fazem 51 pré-avisos de greve por ano? Um buraco que, em 2010, teve um resultado líquido do exercício -195.197.037€ !? 
Assim, a continuidade do serviço público de transportes obriga a uma gestão mais eficaz dos recursos disponíveis. Não há alternativas a essa decisão.
Vejamos a situação de algumas outras empresas públicas no sector dos transportes:
Carris:
Activo= € 163M
Passivo= € 939M
Capitais Próprios (o que, depois de vendido todo o activo e liquidar o passivo, resta para o accionista) = € -776M (!)
Encargos com a dívida no último ano = € 30M
A oferta de serviços é superior à oferta 4,5 vezes.
Metro de Lisboa:
Activo= € 520M
Passivo= € 1179M
Capitais Próprios= € -658M
Encargos com juros (2010) = €52M
Custos com pessoal superiores às receitas de bilheteira, representando 66% dos custos totais que a empresa tem em pôr o metro a funcionar.
Oferta supera a procura 5,4 vezes. Grosso modo, em cada 5 metros que passam, só um é que está cheio.
STCP:
Passivo= € 390M
Capitais próprios= € -276M
Oferta superior à procura = 6,7 vezes
Metro do Porto:
Passivo= € 3435M
Capitais Próprios= € -1158M
Oferta superior à procura= 5,5 vezes
Encargos Financeiros (juros) = € 89M
Transtejo/Soflusa:
Passivo= € 192M
Capital Próprio= € -109M
Gastos com pessoal › Receitas de Bilheteira
Encargos Financeiros (juros) = € 4,7M
CP:
Passivo= € 3667M
Capitais Próprios= € -2447M
Encargos Financeiros com a dívida (juros) = € 161M
Oferta superior à procura = 4 vezes
REFER:
Passivo= € 2712M
Capitais Próprios= € -1446M
Encargos Financeiros (juros) = € 190M
As receitas cobradas às empresas pelo uso das infraestruturas são INFERIORES ao custo de pessoal!
(Neste momento já devem ter desmaiado mas…)
Resumindo:
Só estas empresas apresentam um passivo consolidado acumulado de €11.575 M (16% do empréstimo do FMI e pouco menos da linha de crédito destinada à Banca), estima-se que o endividamento das empresas públicas deste sector empresarial do Estado ascenda a 17 MIL MILHÕES! (só para terem um termo de comparação, a receita total estimada da sobretaxa em sede de IRS no ano passado é de € 1025M)
Segundo uma notícia da semana passada no JN, apresento alguns luxos que os trabalhadores gozam nestas empresas – além de ordenados bem acima da média:
a) Cabeleireiro disponível na empresa;
b) Subsídio por não faltar ao trabalho;
c) 30 dias de férias por ano;
d) Cobertura para medicamentos;
e) Subsidio complementar ao da SS se o trabalhador estiver de baixa para receber o mesmo que recebia se tivesse a trabalhar;
f) Complemento de reforma de forma a que o trabalhador receba o mesmo que recebia quando estava a trabalhar;
g) Subsídios que atingem os 30% do salário bruto;
h) Subsídio por turnos – 60€/mês + subsídio de assiduidade 70€/mês (metro de Lisboa);
i) Viagens gratuitas para os Pais, Irmãos, Tios, Filhos etc.
Acham isto justo? Eu não.
Quando há tantos Portugueses, especialmente os funcionários públicos, a sofrer de uma redução brutal do rendimento mensal, porque razão não se corta parte destas regalias? Sim, porque elas representam uns bons milhões por ano. Além disso, é necessário acabar com todas essas chefias excessivas, vários administradores com cartões de crédito e ordenados faraónicos, com a sobreposição na oferta de alguns serviços sucedâneos e com tantas outras negociatas feitas como o caso das SCUT.
Por isto é que os sindicatos deviam lutar, apresentando soluções mesmo que por vezes os trabalhadores tenham de abdicar de algo no presente para o seu emprego futuro estar menos em risco! Não é com slogans absolutamente escabrosos – “Fora a TROIKA” – nem com uma forma contestatária tão repugnante que conseguirão melhorar alguma coisa.
Soluções?
1) Reestruturar as empresas, fundir algumas que são públicas e concorrentes/complementares, permitindo uma redução estimada de 15% nos FSE (fornecimentos de serviços externos: telecomunicações, frota automóvel)
2) Abrir as concessões de algumas linhas aos privados – de forma séria e benéfica.
3) Horários mais eficientes para os trabalhadores para não acontecer o que acontece hoje (já foi pior) – um maquinista após 6h de trabalho tem o dia ganho porque senão excede as 8h/dia;
4) Despedimentos;
5) Ajustar a Oferta à Procura – racionalização das redes – por exemplo, há locais em que a oferta ferroviária excede 5000% a procura, podendo esse trajecto ser fornecido por uma empresa de autocarros a um custo MUITO inferior;
6) Acabar com todas as regalias que não se enquadram no momento actual.
Relembro: Em termos contabilísticos, se o Estado vendesse tudo o que estas empresas têm e pagasse a toda a gente (Activo – Passivo), tinha ainda de desembolsar 5,5 MIL MILHÕES – dos nossos impostos – para alguém ficar com as empresas.
Obs: Excluí a grande RENEGOCIAÇÃO das PPP, em que os encargos passaram de € 746M para cerca de € 1500M (salvo erro). Tentarei escrever acerca dessa grande renegociação brevemente com a certeza que nunca chamarei a pessoa que renegociou as PPP para RENEGOCIAR por mim….
 

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