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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

0 Salários dos presidentes das empresas do PSI-20 crescem 5,3%

Em 2011, as remunerações dos presidentes executivos das 20 empresas cotadas no PSI-20 aumentaram 5,3%, face a 2010, ascendendo a 17,6 milhões de euros, o equivalente a mais de 36 mil salários mínimos.

Numa altura em que, em Portugal, os trabalhadores são confrontados com drásticas reduções salariais e o impacto da crise e das medidas de austeridade impostas aos cidadãos é cada vez mais notório, principalmente entre os mais desfavorecidos, as remunerações dos presidentes executivos da grande maioria das vinte maiores empresas cotadas na bolsa de valores de Lisboa registam um aumento acentuado.
Em 2011, as remunerações dos presidentes executivos das 20 empresas cotadas no PSI-20 aumentaram 5,3%, face a 2010, ascendendo a 17,6 milhões de euros. Os prémios de gestão correspondem a mais de um terço das remunerações.
Entre os presidentes executivos das empresas do PSI-20, Manuel Ferreira de Oliveira, da Galp, terá sido o mais bem pago. A sua remuneração anual ascendeu a 1,6 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 22,9% face ao ano anterior e equivale a mais de 117 mil euros brutos por mês. A remuneração do presidente executivo da Galp Energia foi composta por 1,07 milhões de remuneração fixa, 305 mil euros de remuneração variável relativa a 2010 e 267 mil euros para o plano poupança reforma (PPR).
A maior subida de ordenado corresponde, no entanto, à Cimpor. Francisco Lacerda viu a sua remuneração aumentar 99,6%, passando de 425 para 848 mil euros.
A Francisco Lacerda seguem-se Pedro Queiroz Pereira, da Semapa, e Vasco de Mello, da Brisa. O primeiro terá sido remunerado, em 2011, com um valor superior a 1,3 milhões de euros, equivalente a uma variação de 41% face a 2010, e o presidente executivo da Brisa terá beneficiado de um aumento nos seus rendimentos de 30,9%.
A Jerónimo Martins premiou o seu presidente executivo com uma remuneração anual que ascendeu a 995.460 euros. Este valor representa um aumento de 29,4% face a 2010.
Zeinal Bava, líder da PT, recebeu, por sua vez, um valor superior a 1,35 milhões de euros no ano passado, o equivalente a mais de 231 salários mínimos por mês. Deste bolo, 695 mil euros correspondem ao salário fixo e 660,9 mil euros à componente variável.
No caso das administrações executivas das 20 empresas cotadas no PSI-20, também se verifica um acréscimo dos valores auferidos pelos seus membros de 1,7%, comparativamente ao ano anterior. Em 2011, foram gastas nas remunerações das administrações executivas mais de 66,6 milhões de euros, equivalente a um aumento de 1,1 milhões de euros face a 2010.
A administração executiva que beneficiou de um maior aumento foi a da empresa Senapa, que beneficiou de uma subida de 48,8% na remuneração total devido a um aumento de 112% da componente variável.
Por outro lado, a administração executiva do BES, que tem uma das maiores equipas, terá sido a que usufrui de uma maior remuneração, superior a dez milhões de euros.
As remunerações da comissão executiva, da comissão de auditoria e do conselho de administração da empresa totalizaram 7,6 milhões de euros em 2011.

Empresa
Presidente executivo
Remuneração 2010
Remuneração 2011
Variação
ZON
Rodrigo Costa
995.002
965.002
-3%
Sonaecom
Ângelo Paupério
1.004.800
1.027.100
2,2%
PT
Zeinal Bava
1.416.959
1.355.943
-4,3%
Semapa
Pedro Queiroz Pereira
983.907
1.386.888
41%
Mota-Engil
Jorge Coelho
700.000
634.600
-9,3%
BCP
Carlos Santos Ferreira
647.158
650.006
0,4%
Sonae-Indústria
Rui Correia
360.400
404.600
12,3%
Jerónimo Martins
Pedro Soares dos Santos
769.578
995.460
29,4%
Brisa
Vasco de Mello
483.181
632.252
30,9%
Sonae
Paulo Azevedo
1.122.871
1.143.020
1,8%
BES
Ricardo Salgado
1.222.000
801.000
-34,5%
REN
Rui Cartaxo
340.151
317.166
-5,8%
Galp
Manuel Faria de Oliveira
1.337.000
1.642.600
22,9%
EDP
António Mexia
1.043.541
1.034.840
-0,8%
EDP Renováveis
Ana Maria Fernandes*
592.939
551.362
-7%
BPI
Fernando Ulrich
730.465
734.187
0,5%
Cimpor
Francisco Lacerda**
425.073
848.351
99,6%
Portucel
José Honório
1.532.491
1.425.895
-7%
Altri
Paulo Fernandes
391.860
391.860
0%
Banif
Carlos Almeida
609.982
632.023
3,6%
*Recebe outra parte do salário através da EDP.
**Substitui Ricardo Bayão Horta em abril.
Tabela formulada com base nos dados publicados pelo jornal Público em 14.05.2012.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

0 Funcionário do Município de Castro Marim recebe aumento com retroactivos desde 2007

Um funcionário do Município de Castro Marim foi aumentado por “acabar” as funções anteriores. O “problema” é que os retroactivos são a partir de 2007.

Um aviso no Diário da República deixou o Tugaleaks curioso. No aviso número 14195/2012, disponível aqui, faz-se saber que o técnico superior Octávio Miguel Calhau Câmara, por “término da comissão de serviço como dirigente na Direção Regional de Cultura do Algarve”, foi aumentado para “escalão 1, índice 710 da carreira de técnico superior”.

Segundo esta lista, desactualizada, em 2009 esta pessoa teria que ter recebido quase 2.500EUR por mês. Este aumento foi feito a 24 de Setembro de 2012 e foi retroactivos desde Fevereiro de 2007 e como não se sabe o escalão onde a pessoa estava anteriormente, não se pode quantificar ao certo o que vai ganhar.
Funcionário do Município de Castro Marim recebe aumento com retroactivos desde 2007

Porém, o termino da comissão da qual ele era dirigente não impediu o Governo de colocar mais fundos nas artes e consequentemente no Algarve, onde no Aviso n.º 15486-A/2012, que trata o “Apoio indireto quadrienal e bienal”, se podem ler 250 mil euros para o Algarve.
No meio disto tudo, este senhor vai receber dinheiro “a mais” por uma função de direcção alegadamente extinga, onde o serviço público continua a ser efectuado com montantes e verbas já aprovadas entre 2013 e 2016 (fonte).
Parece estranho, mas não é. É pura “sorte”…

sábado, 8 de dezembro de 2012

0 Dinheiro da troika não foi para pagar salários e pensões

O professor de Economia José Maria Castro Caldas afirmou hoje, em Coimbra, que o dinheiro emprestado pela 'troika' a Portugal não foi para pagar salários e pensões", mas para pagar a credores.
"É falso que sem aquela ajuda não havia dinheiro para pagar pensões e salários aos funcionários públicos até final do ano" de 2011, sublinhou o docente e investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.
Portugal não tinha dinheiro para "amortizar a dívida pública que vencia nessa altura e a ajuda da 'troika' veio para pagar aos credores, exceto 13 mil milhões de euros" destinados a "recapitalizar a banca" portuguesa, sustentou o economista, que falava, esta noite, em Coimbra, num debate promovido pela Auditoria Cidadã à Dívida Pública Portuguesa (IAC).
"Existem ideias feitas sobre a dívida" de Portugal que "não correspondem à realidade", frisou Castro Caldas, considerando que "a maioria das pessoas acredita que os 78 mil milhões de euros da 'troika' eram para pensões e salários".
Discordando de alguns participantes no debate, que defenderam que a dívida pública portuguesa não deve ser paga, Castro Caldas disse que "há uma parte da dívida" que deve ser paga, designadamente, ao Fundo de Segurança Social, aos pequenos aforradores que investiram em Certificados de Aforro e à banca portuguesa.
Uma parte da dívida não deve ser paga, como a que resulta de "contratos ilegítimos" e "a outra parte deve ser renegociada", advogou.
Olinda Lousã, sindicalista e membro da IAC, considera, igualmente, que Portugal deve apenas "renegociar a parte legítima da dívida", mas antes, advertiu, é necessário saber qual é essa parte e apurar a dívida ilegítima.
"O futuro não se resolve com esta austeridade cega", salientou.
O músico Manuel Rocha também entende que a dívida pública deve ser renegociada e de forma a permitir que o país "possa ter desenvolvimento económico", investindo nas pequenas e médias empresas e na exportação e "tributando os bolsos onde há dinheiro".

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

0 90% dos cortes na despesa são cortes de salários

Despesas de funcionamento do Estado subiram 1,2 mil milhões de euros até Agosto face a 2011. Corte nas 'gorduras' permanece adiado e poupanças resumem-se a corte de salários.


 O Governo continua a não conseguir travar a subida da despesa do Estado e as reduções que tem conseguido fazer nos gastos são quase, exclusivamente, à custa dos salários e subsídios dos funcionários públicos, revelam dados da Direcção-Geral do Orçamento (DGO).

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, tem tentado centrar a razão da má execução orçamental este ano no desvio das receitas dos impostos e no aumento dos encargos com os juros da dívida. Mas essa é apenas parte da história. O não cumprimento das metas do défice orçamental e o recurso a novas receitas extraordinárias estão ainda a derivar da incapacidade do Executivo em cortar gastos correntes do Estado.

A execução orçamental de Setembro, publicada esta semana, mostra que a despesa corrente do sub-sector Estado (administração central sem a Segurança Social e serviços e fundos autónomos) subiu 2,6% entre Janeiro e Agosto face ao período homólogo, tendo o Estado gasto mais 739 milhões de euros que um ano antes.

Juros não explicam tudo

O Executivo coloca a tónica na subida dos encargo com juros da dívida (aumento de 18%) para justificar a derrapagem do lado da despesa. Porém, a realidade mostra que o grande desvio continua a ser no aumento dos pagamentos que o Estado faz para o funcionamento dos seus organismos e entidades centrais e locais.

As transferências correntes, rubrica que representa mais de metade de toda a despesa do Estado e que inclui parte das famosas ‘gorduras’, subiram 7,2% e custaram 1,2 mil milhões de euros mais que um ano antes. Custaram também o dobro da subida do encargo com juros (655 milhões).

Os dados da DGO mostram ainda que a quase totalidade da despesa que o Governo conseguiu cortar este ano é feita à custa dos salários dos seus funcionários. Medidas como a retirada do subsídio de férias este ano fez com que os gastos com pessoal do Estado recuasse 15,6% até Agosto face a um ano antes, resultando numa poupança de mil milhões de euros. As restantes reduções de despesa ( ver quadro) foram insignificantes: a aquisição de bens e serviços recuou apenas 76 milhões de euros. Contas feitas, 90% dos cortes de despesas de funcionamento do Estado tem sido até agora assente na redução de salários e subsídios e esta ‘poupança’ acabou, totalmente, anulada pelos encargos com juros, mas sobretudo por um crescente custo para manter a máquina do Estado a funcionar.

Sócrates 7 - Gaspar 3

«O combate às gorduras do Estado tem rendido ganhos apenas simbólicos e têm sido os trabalhadores, nos sectores público e privado, a suportar o grosso deste ajustamento», analisa Sérgio Vasques. O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscai acrescenta que «o Governo tem sido vítima de si próprio: pelo irrealismo do que assumiu quanto à despesa e pela insensatez da política fiscal que tem seguido. O ir ‘além do memorando’ fez a execução orçamental quebrar em 2012 e o ano de 2013 não promete melhores resultados».

Nos primeiros oito meses deste ano, o Governo apenas conseguiu reduzir a despesa corrente do Estado em três deles. Esta performance contrasta com a conseguida no mesmo período em 2011 pelos executivos do José Sócrates, do Governo de gestão e os primeiros dois meses de Pedro Passos Coelho, quando a despesa corrente caiu em sete dos oito meses entre Janeiro e Agosto de 2011.

A execução orçamental de Agosto voltou a confirmar que as contas do Estado continuam a derrapar, tanto do lado da despesa como da receita. A aceleração na queda das receita do IVA – descida de 2,2% até Agosto – e a subida em 20% das despesas com o subsídio de desemprego – estão a aprofundar o buraco orçamental que o Governo terá de compensar este ano, mesmo com a nova meta do défice elevada de 4,5% para 5% – acordada com a troika na última revisão do memorando. O desvio ainda não foi revelado pelo Governo, mas o défice real estará entre 6,6% e 6,1%, o que obriga o Executivo a recorrer a medidas que compensem agora os cerca de dois milhões de euros que faltam para alcançar o défice de 5%.

«O que é trágico, passado um ano, é que estejamos a sofrer o maior choque fiscal da nossa história moderna ao mesmo tempo que desperdiçamos uma oportunidade irrepetível de reformar o nosso Estado e a economia», remata Sérgio Vasques.
 

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