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quinta-feira, 19 de março de 2015

0 Wikileaks revela relatório secreto americano sobre Portugal

Wikileaks revela relatório secreto americano sobre Portugal. O país que compra “brinquedos caros e inúteis” por “orgulho”
Sabia que o ministério da defesa está isento de concursos públicos? Livre para fazer as suas compras milionárias a quem der mais luvas? E não a quem faz o preço mais justo? Tudo para salvaguardar o secretismo das operações do ministério?
O resultado é o que se tem visto. As compras mais escandalosas, menos transparente e mais megalómanas do estado, têm tido origem neste ministério. O caso dos submarinos, dos Pandur, dos torpedos, dos helicópteros, etc etc etc, muitos deles em investigação. Outros já provados na fonte estrangeira que houve luvas, mas em Portugal nada se faz.
Mais uma vez o oportunismo dita a lei, que por decisão deles, os beneficia a eles e lesa o interesse nacional. O concurso público é uma das regras básicas, para travar alguma corrupção mas os que nos desgovernam não gostam dessas regras? O importante é fazer muitas compras e de muitos milhões, mesmo que inúteis, servirão para fazer entrar dinheiro em partidos e em contas privadas dos envolvido? Compram inutilidades, sucata, usados, avariados, e até brinquedos para os quais não possuímos dinheiro para o combustível, para a manutenção nem recursos humanos técnicos.
Em Portugal poucos sabem, mas quem negoceia com os nossos desgovernantes, sabe algumas coisas que todos deveríamos saber.
O Wikileaks revelou um relatório confidencial que deixa a nu, algumas tramoias do Ministério da Defesa. Retirando algumas imprecisões, ficam algumas revelações.

Washington arrasa negócios do Ministério da Defesa
Relatório confidencial: O embaixador americano em Lisboa escreveu uma apreciação implacável sobre os submarinos, as fragatas e os tanques em que Portugal gastou milhões.
O pequeno parágrafo, a meio do telegrama de seis páginas, resume a coisa assim: "No que diz respeito a contratos de compras militares, as vontades e ações do Ministério da Defesa parecem ser guiadas pela pressão dos seus pares e pelo desejo de ter brinquedos caros. O Ministério compra armamento por uma questão de orgulho, não importa se é útil ou não. Os exemplos mais óbvios são os seus dois submarinos e 39 caças de combate (apenas 12 em condições de voar)."

O tom não varia muito nos outros parágrafos. O que varia é o nível do detalhe. Cruel e despojado - mas também comprometido com interesses diretos americanos e contendo erros factuais -, o telegrama enviado em 2009 para Washington pelo então embaixador dos EUA em Lisboa, Thomas Stephenson, não deveria ter chegado às mãos de um estrangeiro. Tem a classificação de NOFORN, "no foreigners". Talvez por isso seja tão declaradamente depreciativo para Portugal, para as altas chefias militares e para os últimos governos que têm estado no poder.

O telegrama (em boa verdade, um relatório) analisa o que se passa dentro do Ministério, tentando explicar porque é que as coisas, na perspetiva americana, correm tão mal. O título diz tudo: "O que há de errado no Ministério da Defesa português?"
Embaixador dos EUA em Lisboa de novembro de 2007 até 2009, depois de uma longa carreira como empresário em Silicon Valley, Stephenson escreve: "Portugal sofre de um complexo de inferioridade e da perceção de ser económica, política e militarmente mais fraco do que os seus aliados."
Na tese americana, o gosto pelos "brinquedos caros" tem a ver com isso.
Stephenson aponta o caso dos submarinos, que custaram mil milhões de euros e que, segundo ele, não seriam precisos: "Com 800 quilómetros de costa e dois arquipélagos distantes para defender, os dois submarinos alemães comprados em 2005 não são o investimento mais sensato. Os submarinos não têm uma missão formal atribuída e faltam-lhes os meios para fazer patrulhas sem objetivo. Portugal comprou os submarinos mas não encomendou sistemas de mísseis, o que significa que não terão capacidade de ataque mesmo que tenham uma missão."
Fazendo eco da polémica discussão pública sobre o assunto, o embaixador toma partido, mas demonstra algum desconhecimento. Com uma área marítima 20 vezes maior do que o seu território terrestre, há muito que a doutrina militar portuguesa prevê uma missão formal para os submarinos. Além disso, estes estão equipados com torpedos, minas e um sistema de mísseis Harpoon (ironicamente, fabricados nos EUA).

Mas o telegrama vai mais longe. O dinheiro gasto nos submarinos falta noutros lados. "Portugal tem poucos navios-patrulha operacionais para defesa do litoral e para dar conta do narcotráfico, imigração e pesca ilegais." E avança, quanto à Força Aérea: "Portugal tem alguns caças F-16 antigos, mas apenas um C-130 em condições de transportar militares e equipamento."
O país tem de facto um "excesso" de caças (39, dos quais nove estão para venda), todos comprados aos EUA mas, ao contrário, possui seis e não apenas um C-130.

O embaixador aborda depois o delicado tema das compras, considerando que a opção portuguesa de "comprar europeu" (em detrimento dos equipamentos americanos) lhe é frequentemente imposta pelos seus parceiros da União. Reportando ao caso das fragatas holandesas, adquiridas em 2006 por decisão do então ministro da Defesa, Luís Amado, em detrimento das americanas Oliver Hazard Perry, que haviam sido escolhidas por Paulo Portas, Stephenson diz que Portugal o fez "por pressão dos Estados europeus".
"O Ministério da Defesa optou por gastar mais de 300 milhões de euros em fragatas holandesas usadas. As americanas teriam exigido apenas cerca de 100 milhões de euros na sua modernização e apoio logístico", escreve o diplomata, acusando de falta de credibilidade o "estudo" que serviu de base à decisão, pois comparava "as fragatas americanas usadas com fragatas holandesas novas, sendo que estas tinham mais de 15 anos".

Na realidade, as Perry tinham mais 20-25 anos do que as holandesas e, a acreditar em fontes contactadas pelo Expresso, nunca foi feita uma estimativa do seu custo de modernização "por ser uma verdadeira dor de cabeça a sua eventual sustentação". As holandesas custaram 248 milhões.
Stephenson acrescenta que o mesmo tipo de situação (que chama de "contabilidade curiosa") ocorreu com os helicópteros-patrulha, "uma necessidade crítica" para Portugal. Mais uma vez, os Sikorsky americanos foram preteridos em favor dos EH-101 europeus, mais baratos, mas apenas porque "as peças sobresselentes e a manutenção não foram incluídas na proposta europeia. Semanas depois de entrarem ao serviço, os EH-101 ficaram parados por falta de peças. Os velhos Pumas com 20 anos que os EH-101 deviam substituir tiveram de voltar a voar".

O embaixador foi certeiro. Decididos ainda no tempo de Rui Pena, o último ministro da Defesa de António Guterres, estes helicópteros foram adquiridos sem um efetivo contrato de manutenção. Já o mesmo não se pode dizer relativamente à compra à Holanda de 36 tanques Leopard A6. "Os tanques são bons, mas Portugal não tem doutrina operacional, nem cadeia de manutenção nem peças sobresselentes. Além disso, a aquisição representou um afastamento do objetivo declarado do Exército em tornar-se uma força mais expedicionária, projetável e ligeira", escreve.
O que aconteceu depois, o embaixador já não conta. O Exército português adaptou-se aos novos "brinquedos" e ganhou competências novas como força expedicionária. Mas três quartos dos Leopard estão hoje encostados porque falta o dinheiro para comprar peças de substituição. E os tanques nunca saíram do país.

Lóbi rendeu 100 milhões
O Ministério da Defesa escolheu o gigante norte-americano Lockheed Martin para um contrato de 100 milhões de euros, depois de o Governo dos EUA ter feito lóbi junto do então ministro socialista Nuno Severiano Teixeira a favor do maior grupo de aeronáutica militar.
Com o título "Recent commercial sucess stories" ("histórias recentes de sucesso comercial"), um telegrama enviado para Washington pelo embaixador Thomas Stephenson, 2008, relata que no início de 2007 um adjunto comercial e o chefe do departamento de cooperação militar da embaixada americana em Lisboa encontraram-se com o diretor de uma das unidades da Lockheed Martin, Michael Meyer.
No encontro, Meyer contou que estava a tentar garantir há anos um contrato de 135 milhões de dólares (100 milhões de euros) para a reconversão dos cinco aviões P-3C Orion que a Força Aérea Portuguesa tem para fazer controlo marítimo, mas a mudança de governo em 2005 (do PSD para o PS) "manteve a proposta num limbo". Além disso, a Lockheed tinha informações que uma concorrente espanhola, a CASA EADS, "estava a fazer trabalho de bastidores junto do Ministério da Defesa para ganhar o concurso".
Uma carta foi elaborada em conjunto por vários departamentos em Lisboa e em Washington e foi assinada por Alfred Hoffman, embaixador que antecedeu Stephenson em Lisboa, sendo enviada ao ministro a 2 de maio de 2007. Quatro meses depois, a 6 de setembro, a Lockeed ganhou o contrato. fonte

Um país de generais sentados
Há uma cultura nas Forças Armadas em que, quase sempre, a melhor decisão que se pode tomar é não tomar decisões, dizem os americanos. Até para uma banda tocar é preciso autorização de topo.
A visão da diplomacia americana sobre a gestão e o exercício do poder dentro das Forças Armadas portuguesas é tudo menos diplomática, pelo que se pode ler num relatório assinado pelo embaixador Thomas Stephenson e que consta de um extenso telegrama já citado nas páginas anteriores - enviado a 5 de março de 2009 para Washington com o título "O que há de errado com o Ministério da Defesa português?"
O documento inclui um diagnóstico desassombrado sobre uma estrutura "rígida" e incapaz de tomar decisões. "A imagem de generais sentados sem fazerem nada não é uma mera alegoria".

"Os militares têm uma cultura de statu quo em que as posições-chave são preenchidas por carreiristas que evitam entrar em controvérsias, em vez de serem preenchidas com pensadores criativos, promovidos pelo seu desempenho", escreve o embaixador americano.
"Espera o tempo suficiente, dizem-nos os oficiais, e chegarás a coronel ou a general. Esta cultura fomenta um pensamento adverso a correr riscos e um corpo de oficiais superiores para quem adiar uma decisão é quase sempre a melhor decisão". Stephenson explica o que quer dizer com um caso: "Pedimos ao comandante da academia militar portuguesa se a banda da academia podia atuar numa receção da embaixada americana. O general de duas estrelas respondeu que isso teria de ser aprovado pelo chefe do Estado-Maior do Exército".

O problema não está, para o embaixador americano, na falta de recursos humanos. "Como a maioria dos aliados da NATO, Portugal encontra-se abaixo do padrão oficial que determina 2% do PIB para o orçamento de defesa. Portugal está nos 1,3% e gasta esse dinheiro de forma imprudente. Portugal tem mais generais e almirantes por soldado do que quase todas as outras forças armadas modernas: 1 para cada 260 soldados. Em comparação, os Estados Unidos têm um rácio de 1 para cada 871 soldados". Mais: existem ainda "170 generais adicionais que recebem o ordenado por inteiro enquanto se mantêm inativos na reserva".

Qualquer um pode ser um obstáculo
"Um corolário da regra de que ninguém toma decisões de comando", continua o embaixador, "é que qualquer pessoa pode bloqueá-las. Ultrapassar estes obstáculos exigiria que um oficial viesse a público desafiar a oposição interna, num ato raramente valorizado".
O cenário de bloqueio interno é agravado pela segregação que existe entre os três ramos das forças armadas e o Estado-Maior-General. O telegrama refere-se aos ramos (exército, marinha e força aérea) como "feudos". "O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas não tem orçamento nem autoridade sobre os chefes dos ramos, que regularmente ignoram as ordens dele".
"A necessidade de consenso na estrutura militar", diz Stephenson, "inviabiliza muitas vezes os planos do Governo". E dá um exemplo: "Nas reuniões da comissão bilateral luso-americana, elementos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Defesa têm implorado para que cooperemos em programas de formação militar na África lusófona. Nós concordámos, mas só um em 16 projetos de cooperação trilateral propostos por nós - a pedido do Governo português - teve a participação de Portugal (um único sargento associado à formação do exército americano sobre desminagem na Guiné-Bissau)".
Segundo o telegrama, há franjas no Ministério da Defesa que têm um sentimento de posse em relação à África lusófona e não querem o envolvimento de outros países em programas militares com as ex-colónias.
Devemos fazer o trabalho interno dos portugueses
A par da radiografia negativa sobre as Forças Armadas, o telegrama estabelece linhas orientadoras de como a diplomacia norte-americana deve abordar o Ministério da Defesa - e também o Governo português em geral. O princípio básico, para o embaixador, passa por incentivar Lisboa sempre que possível. "Nunca deveríamos perder uma oportunidade para encorajar o Governo português, porque o Governo português nunca perderá uma oportunidade de procrastinar (adiar)".
Para isso, Stephenson acredita numa tática de infiltração nas estruturas internas do poder: "Devemos envolvermo-nos cedo e frequentemente e estarmos prontos para fazermos as consultas internas por eles dentro do Ministério da Defesa". fonte

Link para o documento no wikileaks

Fonte: http://apodrecetuga.blogspot.com/2014/07/wikileaks-revela-relatorio-secreto.html#ixzz3UrCvIN9d

quarta-feira, 24 de abril de 2013

0 Wikileaks vence batalha contra a Visa na Islândia

As empresas que dominam o sistema de pagamentos eletrónicos uniram-se para impedir os donativos à Wikileaks através de cartão de crédito. Esta quarta-feira, o Supremo Tribunal islandês condenou a subsidiária da Visa a parar o bloqueio ou a pagar uma multa milionária.


A decisão da justiça islandesa é a maior vitória da campanha contra o bloqueio da ajuda à Wikileaks que dura desde dezembro de 2010. A sentença não é passível de recurso e condena a Valitor (ex-Visa Islândia) a repor as tranferências de dinheiro dos apoiantes da Wikileaks através de cartão de crédito num prazo de 15 dias. Ou, em alternativa, a pagar uma multa de 5250 euros por dia.
"É uma vitória para a liberdade de expressão. É uma vitória contra o ascenso da censura económica para oprimir jornalistas e editores", disse o fundador da Wikileaks, Julian Assange, asilado na embaixada do Equador em Londres desde junho do ano passado.
"Agradecemos ao povo islandês por mostrarem que não se deixam amedrontar pelas companhias de serviços financeiros apoiadas por Washington, como a Visa. E lançamos o aviso às outras companhias envolvidas neste bloqueio: a seguir são vocês", acrescentou Assange, antes de instar a Comissão Europeia a a reconhecer que este bloqueio à Wikileaks "é um mecanismo de censura ilegal e arbitrária que ameaça a liberdade de imprensa na Europa". A organização de Assange já tinha apresentado uma queixa em Bruxelas, lembrando que a Visa e a Mastercard dominam 95% do mercado europeu, tratando-se de um caso de abuso de posição dominante. Mas não são as únicas empresas que cortaram a possibilidade de fazer donativos à Wikileaks. A  Western Union, PayPal e o Bank of America são outros dos gigantes dos sistemas de pagamentos online que participam no bloqueio.  
Agora, a organização que protagonizou a divulgação da maior fuga de informação da diplomacia mundial irá continuar a bater-se na justiça de outros países. A ação judicial mais avançada decorre nos tribunais dinamarqueses, também contra uma subsidiária da Visa.

terça-feira, 9 de abril de 2013

0 Mais 1.7 milhões de arquivos confidenciais revelados pela Wikileaks

O ilegal faz-se rapidamente, o inconstitucional é que demora um pouco mais” são palavras de Henry Kissinger retiradas da revelação de 1.7 milhões de arquivos confidenciais.

 

 O site WikiLeaks publicou hoje, dia 8 de Abril, os “Cables Kissinger” (cables relaciona-se com a troca de comunicação por “cablegram” tipo telegrama) a maior divulgação pública de documentos do último ano, totalizando cerca de 1,7 milhões de arquivos confidenciais, incluindo informações sobre a história de segredo diplomático dos EUA.


Uma grande variedade de arquivos foram recolhidos e compilados, incluindo correspondência do Congresso e relatórios de inteligência (informação) e troca de correspondência electrónica.
Julian Assange, que lidera a organização, disse à imprensa que os documentos ilustravam o vasto alcance e objectivos da influência global dos EUA.
Assange reside actualmente na embaixada do Equador em Londres, sob a ameaça de prisão no caso de sair.
O ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger é citado como tendo dito: “Antes da Lei da Liberdade de Informação, eu costumava dizer nas reuniões, o ilegal faz-se rapidamente, o inconstitucional é que demora um pouco mais” durante uma reunião em 1975 que inlcuía um oficial turco e outro cipriota.
Entre outras informações reveladas, a revelação de que o Vaticano pode ter colaborado com os EUA ao apoiar o golpe a Pinochet no Chile, que resultou num regime de derramamento de sangue e de desaparecimentos.
Já tinham vindo a público documentos sobre o envolvimento dos EUA no sangrento golpe chileno.    
Embora estes 1,7 milhões de arquivos tenham sido oficialmente desclassificados e postos acessíveis através do Arquivo Nacional dos EUA, membros da equipa da WikiLeaks consideram que a importância das revelações é demasiado grande para que fiquem  subtilmente escondidos.

Os “Kissinger cables” fornecem um acesso sem precedentes aos jornalistas e ao público em geral “, disseram responsáveis pela WikiLeaks num comunicado.
“O governo dos EUA não é confiável para manter a história das suas interacções com o resto do mundo.  Felizmente, uma organização que resiste à censura acerrimamente tem também uma cópia.” disse Julian Assange.
“Uma forma de segredo é a complexidade de informação, Essa é a razão pela qual nós decidimos fundir esses arquivos com os nossos e esforçarmo-nos por cosntruir uma base de dados de fácil utilização e acessível “ referiu Kristinn Hrafnsson, um porta-voz da WikiLeaks, à Forbes.
A limitação de Assange à embaixada equatoriana em Londres, significa que o país inglês já gastou cerca de $4.5 milhões em patrulha e vigilância de 24h. Assange reside aí desde que perdeu um caso no tribunal do Reino Unido que obriga a sua extradição para a Suécia.
WikiLeaks largou uma bomba quando revelou mais de 250.000 de arquivos de comunicações secretas em 2010 que incriminavam os EUA em muitas situações internacionais nomeadamente a guerra no Iraque.
Fonte: Google News, wikileaks, RT

domingo, 23 de dezembro de 2012

0 Wikileaks vai divulgar um milhão de documentos em 2013

Julian Assange mostra que a sua organização não está paralisada e presta homenagem aos 232 jornalistas presos no mundo, defendendo que “a verdadeira democracia não está na Casa Branca, está na resistência das pessoas que usam a verdade contra as mentiras, desde a praça Tahrir a Londres".


"O próximo ano será tão cheio como 2012. A Wikileaks prepara a publicação de um milhão de documentos que dizem respeito a todos os países do mundo", declarou Julian Assange em conferência de imprensa realizada na janela da embaixada do Equador em Londres, onde está refugiado há seis meses.
"Há seis meses, 185 dias, que entrei neste edifício que se tornou a minha casa, o meu escritório e o meu refúgio", salientou Assange, que vive em reclusão desde que em junho se refugiou na embaixada do Equador que depois lhe concedeu asilo político, acolhendo a argumentação do editor da Wikileaks que, se fosse enviado para a Suécia, arriscava-se a ser extraditado para os Estados Unidos e ser condenado à pena de morte.
O editor da Wikileaks evocou ainda os jornalistas presos em todo o mundo, afirmando que, apesar de a sua própria liberdade estar limitada, ainda pode trabalhar e comunicar-se, ao contrário dos 232 jornalistas que estão na cadeia.
O jornalista australiano recordou que o Pentágono alegou recentemente que a Wikileaks era “um crime em marcha”, e que enquanto a Casa Branca tiver esta opinião e enquanto o governo australiano não o defender a ele, que é cidadão australiano, terá de se manter na embaixada. E acusou Washington de "ingerências na economia" do Equador e de interferência nas eleições presidenciais que decorrerão em janeiro naquele país.
"A verdadeira democracia não está na Casa Branca, está na resistência das pessoas armadas com a verdade contra as mentiras, desde a praça Tahrir [no Cairo] até Londres", defendeu.
Mas o fundador da Wikileaks abriu uma porta à negociação com as autoridades britânicas, que não lhe permitem a saída da embaixada: “A porta está aberta, e sempre esteve aberta para qualquer um que deseje usar os procedimentos padrão para falar comigo ou garantir-me passagem segura”, disse. 
 

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